19 Setembro 2014

Herdeiro de Artista Brahimi dissipa dúvidas

Já na eliminatória com o Lille, a propósito de magistral livre que abriu o marcador o Dragão, evoquei Madjer, como outros exímios batedores em "folha seca", como Sousa ou Oliveira e Flávio., recuando no tempo que vi. Brahimi fez questão de repetir o livre na Champions e a montra funciona para isto.
Pois bem, a mudança de velocidade com troca de pernas simulada, como em arrancadas no 1x1, é igual. Madjer em Viena a fugir a Pfluegler e cruzar para Juary no 2-1 é também marca de Brahimi.
 
Tivemos o livro d'O Artista (de Hédi Hamel franco-argelino). Temos um novo artista. Nem é preciso "tallonade", já nos contentaríamos com um trofeu do género. Dispensamos repescagem para a Liga Europa. Mas Athletic e Shakhtar estão na luta.

18 Setembro 2014

BATE bate levemente até ao recorde e outro por atingir

Mudou aos 3, acabou aos 6, deu a maior goleada portista no formato Champions, igualou a maior goleada (no campeonato) no Dragão mas ficou sem chegar aos 8-0 do Liverpool ao Besiktas que é recorde máximo da prova. Porque Jackson, embora sempre a carimbar, mandou duas aos ferros, teve um penálti sofrido mas não marcado - sempre achei este holandês que não é louro um incompetente tipo Pedro Henriques cheio de cagança mas mais nada -, golos iminentes falhados por pouco, numa barrigada de futebol que se antevia, disse-o no Twitter ao ver o onze, com ataque Adrian Lopez, Jackson, Quaresma e Brahimi a interior como gosta, ficando Herrera menos ocupado no vaivém até à área para assegurar posição e prevenção ao contra-ataque contrário, o que transformava o clássico 4x3x3 em 4x2x4 e sempre muita pressão ofensiva.
 
Brahimi fez não só 3 golos, levando a bola do jogo para casa, como repetiu aquele maravilhoso livre directo que encheria páginas de jornais num país que gostasse de futebol puxado por uma Imprensa de qualidade em vez dos pasquins que há a agonizar alarvemente. Voltou a ser o homem do jogo, 3 golos diferentes, todos brilhantes, primeiro a decidir no 1x1 na área e marcar à matador, depois numa arrancada desde o meio-campo, abstendo-se de fintar o g.r., como Tarik Sektioui fez uma vez ante o Marselha, por fim o livre a papel químico da folha seca mostrada ao Lille para quebrar o enguiço da época passada sem vitórias em casa na Champions.
 
O scoe final pode ser bom para desempatar no fim e até surpreendeu por o BATE Borisov estar num adiantado estado da época e era suposto mostrar mais frescura física, embora a qualidade técnica se tenha perdido com saídas importantes dos melhores jogadores, de Krivets a Renan Bressan chegado ao Rio Ave.
 
Foi um festival, molhado mas gracioso, a equipa num registo ofensivo de largura e percussão nos flancos para servir Jackson. Além da inédita composição atacante, em tom demolidor, a posição e, acima de tudo, a função de Herrera evitam-lhe embaraços na zona de decisão junto à área e resguardam-no para um segundo papel de âncora para equilíbrio defensivo prudencial com a equipa toda no ataque. Não é um duplo pivot com Casemiro, nem é o que o Preocupações Fonseca pretendia e dizia a Herrera para fazer como 8. Herrera não é um 8, Brahimi mostrou a diferença, mas o mexicano é um mouro de trabalho que assim, sem avançar tanto e expor limitações técnicas de passe e remate em penetração, torna-se um jogador mais de equipa, para a equipa e que aproveita a inteligência funcional em favor da técnica rudimentar e incapacidade de decisão no último terço.
 
Esta será talvez a descoberta fundamental para dar um equilíbrio defensivo que Ruben Neves não vinha a dar por "misturar-se" muito com Casemiro.
 
Como tuítei, o 4x3x3 que se viu poderia significar que o futuro do FC Porto começou ontem e não só na Champions.
 
Lopetegui continua a fazer experiências conhecendo melhor os jogadores que tem e explorando as suas características para melhor renderem e servirem a equipa, beneficiando-se individualmente e tornando o colectivo forte na zona atacante que ainda não convencia totalmente. Voltou a gerir bem a rotação do planel, Adrian Lopez e Aboubakar até já marcaram, o credenciado Tello não tem problemas em começar no banco e o valor do plantel, com as opções disponíveis, é cada vez mais uma certeza.
 
Talvez mais do que a goleada este seja o aspecto primordial, mas decerto também menos explorado pelos experts da bola que há.

Mais uma coisinha em desconto de tempo: fácil, fácil, seria o APOEL há uns anos e ainda ontem, em Camp Nou. Perdeu 1-0 em golo de bola parada e quase empatou no final. O que é fácil, para quem achar que tudo é fácil, é não querer ver mais nada e ainda conseguir perceber que os bimbos da TVI conseguiram dar primazia ao resumo alargado do spórtem empata-fadas e só depois uma goleada que devia abrir telejornais em nome do futebol tuga. Mas permitiu-me ver o resumo alargado do Dragão. E o futebol tuga é o que se sabe. Boa noite e boa sorte.

17 Setembro 2014

Argumento auxiliar escusado

Não quis usar este para lembrar como os árbitros auxiliares, sempre bem nos fora-de-jogo, bem como os de baliza, validando um golo limpo, são importantes na Verdade Desportiva. Afinal, no Mundial do Brasil vimos coisas impecáveis e até inéditas de tão bom comportamento e elevada competência dos "bandeirinhas". Quando caímos em nós, tropeçamos em Portugal, vemos as televisões, ouvimos a merda comentadeira, a arbitragem é um mundo à parte. Chamaram-lhe máfia, depois sistema e há quem diga que hoje é muito melhor do que há 20 ou 30 anos. Ó lá se é, Carlinhos da Sé!
Isto para não falar do vermelho sem contemplações a Artur, do amarelo a Javi Garcia e também a Maxi Pereira, de uma disciplina folgada mas atenta e, sobretudo, séria, isenta, com largas mas sem exageros e muito menos "inconseguimentos"...

Argumento choroso

Podia ter começado pelo ambiente e sentimentos contraditórios, mas eles perguntariam quem é a contradita, por não a conhecerem, não se habituaram. Mas deixo para o fim, que o Porto está prestes a entrar na Champions onde alguns esperavam que não coubesse. O Lille era fraco, hoje é líder isolado em França e o Porto passou ao Pote 1 do sorteio. Mil e uma desconfianças das avestruzes do costume, milhões de reticências sobre méritos e capacidades, balões de oxigénio para os mentirosos que argumentaram com pormenores para esconderem que o FC Portto foi miseravelmente roubado em Guimarães. Esses todos, ontem, eram a imagem da consternação. Não sei se morreu outra vez Eusébio ou só o motorista do autocarro ou mesmo algum adepto como em Alvalade no sábado a ver a tristeza que se sabe. Mas a comentadeirice só não trazia gravata preta: estava lá o choro, a comiseração, mas também a crença na ressurreição e pelo menos a esperança na Liga Europa. Os adeptos aplaudiam o artista morto, mas os dignitários presentes nas exéquias exalavam a sua tristeza e pesar. Deu pena. Hoje estarão à espera do reabilitado Sporting. E, de novo, torcendo para que o Porto bata na parede bielorrussa. BATE foder!

Argumento ai Jesus quem nos acode

A Europa pode mesmo acabar em Dezembro, de vez, se não houver milagre em Leverkusen. Teria um efeito benéfico, assim, pois Janeiro traria mais um monte de dinheiro de vendas de craques sempre cobiçados como Gaitan e Enzo Perez.

Argumento invencíveis em Leverkusen

Tiveram cagueira no 4-4 há 20 anos, nem sabem como ganharam há dois anos. Não há duas sem três em Leverkusen. Ou Neverkusen? O "equilíbrio" pode-se desfazer para alguém. E a gloriosa passagem à Liga Europa deixar de ser o sonho que encobre as misérias debaixo do tapete.

Argumento desequilibrado

Perder de novo a seguir pode ser fodido mesmo.

Argumento grupo equilíbrado

É verdade. Para já.

Argumento dos amigos

Enternecedoras as capas dos pasquins da merdaleja. Só amigos, adocicava um; não há amigos, rosnava o outro. Ninguém se lembrou dos inimigos. AVB despistou o mestre da táctica mais uma vez, borrando-os de medo logo de início. E Hulk, bem, esse é um monstro e nas bancadas sabem fazer u-u-u-u-u, não é?

Argumento TVInédito

Nunca tinha visto um jogo, mesmo na pantalha com a bola doméstica apenas, televisionado sem flashes dos golos marcados. À excepção das repetições dos golos quando foram marcados, a TVI nunca mais mostrou imagens dos golpes de Hulk ou de Witsel. É seguramente inédito na Liga dos Campeões e deve merecer uma distinção da UEFA por tão cuidada e selectiva transmissão por parte do detentor dos direitos da prova em Portugal. Nem ao intervalo, nem no regresso para a 2ª parte, nem quando Hulk foi substituído, nem sequer no final do jogo, de resto apressado para fechar a emissão, foi pena não se desligar a electricidade no Portugal comovido, sepulcral e em risco existencial. Um blackout informativo que desde já enalteço, não vá alguém esquecer-se. Algum árbitro da cintura Lisboa-Setúbal, ou dos confins do Além Tejo, seria realizador da transmissão? A Direcção de sub-informação da TVI terá alguma coisa a dizer sobre a omissão informativa dos próprios golos de um jogo?