24 Outubro 2014

Contas ao Mundial e patrocinadores

O FC Porto (SAD) apresentou 40ME de prejuízo na época finda. Uma catástrofe financeira decorrente da tragédia desportiva, a primeira era esperada em consequência da antevisão lúcida do que seria a segunda. Há sempre coisas que não lembram ao diabo e se pensavam arredias do Dragão mas, sem querer alongar-me nos comentários às contas, do que só tenho preparação básica, reporto três pontos importantes a reter do balanço geral enquanto apreciação desapaixonada mas objectiva:
- inexplicavelmente, a Administração ganhou mais dinheiro comparativamente à época anterior; não importa se Pinto da Costa recebeu mais de 800 mil euros brutos e a Administração custou mais de 2ME; sem se saber porquê, num ano de vacas magras em que a folha salarial decresceu, e sem ter de pagar prémios por objectivos pois foi tudo falhado, parece que PdC e seus pares lucraram com a coisa: se não é a quadratura do ciclo, está realmente uma conta de soma incógnita o que não é bom;
- entretanto, pensando-se que era boa a aposta em internacionais para quem a presença em Mundiais e Europeus potencia os activos que são os jogadores, o novo administrador financeiro Fernando Gomes vem queixar-se... do Mundial: porque ocorreu e porque só depois dele se venderam Fernando e Mangala, custando a crer que de tão falados antes não tenham sido vendidos antes também da epopeia do Brasil que nem implicou o brasileiro; ora, por exemplo, o Real Madrid só comprou James Rodriguez depois do Mundial onde foi o melhor marcador e um dos melhores jogadores, mas isso compreende-se; já não se entende o desabafo de Fernando Gomes a não ser na óptica de justificar um catastrófico ano financeiro porque as vendas posteriores ao Mundial atenuariam as contas negativas e, que chatice, esse dinheiro só esta época entrará nas contas, o que não deixa de ser desculpa de "mau pagador";
- de igual modo, parece bastante antipática a alusão à perda de patrocínios de BES e PT, previstos para o fim desta época; para já, eu gostaria de saber como se continuará a publicitar uma marca (BES) que já nem existe): não se podia alterar aquilo para o Novo Banco ou o BES dos patrocínios está no "Banco Mau"?; mas a queixa da perda de patrocínios é esquizofrénica, pois há vários meses para encontrar dois novos patrocinadores, incluindo para o "naming" das bancadas relacionadas com a PT. Uma marca como a do FC Porto está angustiada por ter nove ou 10 meses (isto nem é de agora...) para encontrar novos parceiros comerciais?
 
E é assim que de contas más se somam explicações pouco recomendáveis como se o mundo acabasse agora e os novos responsáveis não encontrassem soluções - uma ideia que vai ganhando raízes num clube empresa que tem mostrado poucas soluções alternativas e isso não abona nada nem os responsáveis, nem a marca nem as contas tão más apresentadas e que deviam trazer de imediato não lamentos mas acções concretas.
 
É por isso que quando se registam prejuízos desta envergadura nunca são os números, já previstos, que preocupam, mas a ausência de rumo e carência de ideias. Para gente tão bem paga - quase 90 mil euros em 3 meses para o próprio novo administrador financeiro, 30 mil mensais que nem no Governo socialista Fernando Gomes receberia enquanto ministro - é de esperar muito mais. Desportivamente e em gestão económica. Este é o desastre.

23 Outubro 2014

Andou o FC Porto a esfalfar-se no sábado...

Criando ocasiões, em barda, de bola corrida, recupero facilmente:
1) Adrián Lopez isolado acerta em Patrício
2) Adrián Lopez ia isolar-se mas inventam, palavra da moda entre fantasma e arbitragem tendenciosa, um fora-de-jogo inexistente
3) Jackson isola-se e faz 1-1
4) Marcano cabeceia, é um autêntico penálti de cabeça, mas Patrício dá uma palmada necessária porque a bola calhou ir direita a ele - um lance de quase golo mas numa bola parada (canto)
 
Isto só em situações de golo iminente e sem oposição; haveria outros lances perigosos, mas era areia a a mais para a camioneta de entendidos...
 
Ora, ao Schalke não foi preciso jogar bem:
a) bastou que um árbitro amarelasse devidamente entradas perigosas e em 12 ou 13 minutos expulsou um reincidente por Mau Vício
b) aproveitou lances de bola parada e assim fez 3 golos: dois livres laterais e um penálti
c) podia ter marcado mais um, mas perdoaram um penálti de Nani
 
Ou seja, tudo somado, a "boa defesa" do Spórtem que foi comida na profundidade ante o FC Porto que terá tido "buracos defensivos", saiu-se maravilhosamente do Dragão; mas conseguiu ser batida em dois livres laterais com apenas um adversário entre vários defesas frente à baliza.
 
Nada disto transpareceu dos recentes jogos do Spórtem, especialmente na vitória de "classe" no Dragão; a Imprensa, dita Desportiva q.b., anda aí a espalhar sofismas e captar leitores ignaros tanto quanto os pasquineiros de serviço.
 
Entretanto, de volta ao Dragão assobiador, o FC Porto só marcou um golo a jogar pelo meio, criando dois lances de golo a Jackson (demora a rematar e a rematar mal em cada caso) mas em jogadas partindo dos corredores de onde, como uma seta mas com sorte, Quaresma marcou a vitória e aconchegou o ego da pasquinagem de serviço e dos controladores opinativos à distância que manipulam os cordelinhos nas editorias, vidé tv's e replays.
 
Parece que é com Quaresma - que os próprios pasquineiros e opinadores reprovaram em Lille e justificaram o castigo alongado - que se ganha.
 
Quando dirão que será sem Maicon e sem Casemiro, com inteligência para jogar sem risco nos passes indevidos em zonas proibitvas, jogando pelo seguro como o Spórtem - ou como quando jogava sob o comando de Vítor Pereira, já para não falar de outro ostracizado Jesualdo -, com a qualidade intacta que tem na frente, e as alternativas para tudo e alguma coisa, o FC Porto será o que se espera a confirmar o seu potencial. Dominador.
 
Até lá, mais do que os devaneios de Lopetegui, viverá sob a ameaça dos talibãs da Imprensa que agora elegeram o ayatollah Quaresma, vulgo cigano e tatuado com versículos de um qualquer Corão, para levarem a sua revolução avante. Camaradas, para a frente é o caminho e a luta fica para lá do abismo do absurdo.

Entretanto, na formação de talentos...

Depois de levar 5-0 em casa da parte do Chelsea, houve mais 3-0 na casa do Schalke.
O FC Porto lidera o seu grupo na Youth League.
Mas a tónica da formação, como antigamente na equipa mais jovem, está no Spórtem.
Como convém à propaganda norte-coreana, não se fala disso que não interessa.

22 Outubro 2014

O exemplo de Marco Silva e o da Imprensa norte-coreana

Foi só há pouco mais de um ano o Estoril-FC Porto (2-2) e ainda estou a ver a reacção colérica e desrespeitosa de Marco Silva face ao banco portista. Vai fazer em Janeiro três anos um Gil Vicente-FC Porto (3-1), a única derrota, como um (Bruno) Caixão, no percurso de Vítor Pereira na Liga tuga. Lembro, para terminar, que os treinadores beneficiados, um deles hoje a falar de casos de arbitragem como nunca quis falar e agora não acerta um, rejeitaram influências de árbitros nos resultados aludidos. O recente V. Guimarães-FC Porto (1-1), outro caso em que o fantasma da arbitragem foi devidamente exorcizado, está tão presente que nem fale a pena falar.
 
Diferente também foi a postura dos jornais de Pyongyang, a notória capital da sub-informação e pseudo-informação norte-coreana. E não só a escrita é posta em dia: ouvi de tudo na rádio ontem à noite, mas nada do que a seguir segue do que vi posteriormente na tv.
 
O frango do Patrício, inaudível nas ondas hertzianas, foi culpa do árbitro; as duas faltas (uma até no meio campo do Schalke, a outra do meio para cima das costas de um pobre coitado) para amarelo do Mau Vício Maurício foram culpa do Huntelaar que devia aguentar com as cargas ilegais que as equipas de Pyongyang beneficiam com a complacência de árbitros do regime Juche mas anunciavam que o amarelo fatídico não era justo; o golo regular, ilegal na rádio, de Huntelaar só questionável por quem usa as Leis do Jogo para seu benefício apenas - tudo boas decisões de arbitragem que estão em causa não se sabe bem porquê a não ser porque sim.
 
Fala-se de um penálti-fantasma, como se no regime Juche não existissem factos sinistros e fantasmas divertidos para congregar as almas puras e a ilusão de óptica não fosse sequer superada pela ilusão de uma construção utópica realisticamente depauperada mas que a propaganda trata de mascarar da melhor maneira.

Mas qual penálti-fantasma? Bola na mão ou na cara? É difícil visualizar em tempo real, mas no sábado o mesmo Jonathan Silva interveio num lance em que não foi difícil descortinar que houve mão e não houve cara!

Não deve ser a indignação pelo penálti por marcar por falta de Nani - esta nunca ouvi, e só de madrugada vi num resumo fora de horas para não se perceber a realidade e todos dormirem o sono dos justos. Por muito menos foi expulso no M. United frente ao Real Madrid ainda há duas épocas.

Como dizia ontem, é uma chatice. Mas compõe-se com uns floreados, uma cara na capa como se fosse um pedófilo e um grito de caserna para os Casuals se unirem. Estão bem assim e não podia ser de outra maneira.

Quanto aos norte-coreanos, não fui eu que inventei e não sou potencial refugiado...

21 Outubro 2014

Sempre a dar borlas, até as vitórias são caras

O FC  Porto poderia fazer jogos brilhantes, mas sem dar borlas e golos aos adversários nunca seria a mesma coisa. Mais um golo estúpido a perturbar a equipa e a manchar uma exibição até ali brilhante, não fosse dar-se ainda o caso de se desperdiçarem soberanas oportunidades de golo. Vá lá que estas não pesaram tanto, como no sábado, e a oferta permitida e já de catálogo também não estragou completamente o plano, mas a verdade é que o 1-1 consentido voltou a perturbar a equipa em sério risco de se desintegrar. Quaresma salvou a noite em que Jackson voltou a falhar clamorosamente, agora dois "penáltis" a menos de 11 metros da baliza, num executando lento para permitir um corte e no outro abrindo o espaço frontal à baliza para errar o remate.
 
Basicamente foi isto, porque com incidências deste tipo torna-se exasperante falar do futebol portista tão marcado por golos falhados e golos oferecidos. Não foi, de novo, problema de rotação, nem de sistema, nem de falta de entrega, foi falta de maturidade, falta de frieza, falta de eficácia porque, para desespero de todos, parecer ter de ser assim que nos despertam, estas infantilidades que não vemos no Bayern (7-1 à Roma a fazer de Brasil em casa) ou Chelsea, ou mesmo Shakhtar (7-0 em Borisov).
 
Também não creio que esta demonstração, para o bem e para o mal, da equipa de Lopetegui afaste os críticos crónicos dos preconceitos do costume sem perceberem a realidade e dores de crescimento de uma equipa que dá tudo, incluindo dar abébias aos adversários. Mas lá vai ela na liderança do grupo, o que não significa nada, pois se o Athletic vencer os 3 jogos da 2ª volta fica na luta (fará 10 pontos) e a vantagem é que nessas condições afastaria o Shakhtar do apuramento que está a sorrir aos Dragões mas ainda exigirá pontos nas duas deslocações que tem agora a Bilbau e a Borisov.
 
Talvez a equipa sossegue agora um pouco e a rotação de jogadores siga o seu caminho que parece sem retorno segundo o bloco de notas de JL. A equipa fez uma 1ª parte excelente mas qualquer erro próprio a deita abaixo, sintomas de qualidade indiscutível que tem em si e da imaturidade reinante também. Hoje quando muito ficou exposta a pouca fiabilidade de Casemiro a 6, lento a abordar o passe de Herrera que também não primou pela qualidade e de novo a falta de maleabilidade de Maicon, outra vez entortado na área no lance do 1-1.
 
A falta de qualidade na finalização é mais preocupante ainda. Porque se no sábado as ocasiões soberanas fossem convertidas não ocorreriam os erros defensivos, pois a vantagem no marcador propicia sempre algum conforto psicológico. O FC Porto tem de se pôr por cima no marcador, já que amiúde fica por cima no jogo. Vulgarizou o Athletic na 1ª parte, limitado a um remate de longe ao poste, mas tremeu por desconcentração e nervos próprios com as asneiras em poucos minutos e o jogo tornou-se feio.
 
Mas o futebol é assim, muda de cariz um jogo quando menos se espera. JL voltou a estar bem nas substituições (R. Neves por Quintero desgastado; Quaresma por Casemiro; Oliver por Tello), os jogadores erram é passes até no último possível, vejam-se as ocasiões goradas por isso nos instantes finais que poderiam avolumar um resultado que o FC Porto justificava mais confortável.
 
Ninguém diga, por isso, que está bem, veja-se o frango de Patrício na Alemanha - mas o lamento foi da expulsão justa de Maurício com 2º amarelo; veja-se um golo de livre lateral com um central Howedes a marcar sozinho entre seis defesas do Sporting, mas a culpa deve ter sido da chuva; veja-se um golo limpo de Huntelaar, em linha com a defesa, transformado com golo ilegal por aqueles que assobiaram para o lado no sábado quando Adrián López se isolava em posição regular mas também não deu.
 
Às vezes dá, outras não; umas vezes é mérito, ou classe, quando não se vê demérito nos outros; outras vezes é... o árbitro de quem Marco Silva nunca quer falar. Eu só vi lágrimas, baba e ranho na rádio quando ainda nem tinha visto os lances de Gelsenkirchen, onde o Sporting voltou a marcar dois golos fortuitos mas isso também nem sempre chega, é uma chatice.

20 Outubro 2014

Champions em aberto

Amanhã há Porto-Athletic Bilbau, na TVI, em sinal aberto (19.45h), porque a TVI dá só os jogos em casa das equipas portuguesas na Champions, já confirmei. Árbitro: Damir Skomina (Eslovénia), o que me agrada também. Deixa para 4ª feira, com o Benfica na SportTV, o que me liberta para ver o Liverpool-Real Madrid. Também está bem.

Entretanto, curiosamente, em Espanha o Athletic Bilbau está na zona de descida e tem praticamente a mesma equipa, e treinador, da época passada. E na Alemanha, o Borússia Dortmund está 3 pontos acima do último lugar.

Não é fácil acompanhar os altos e baixos do futebol actual.

19 Outubro 2014

Rescaldo friamente depois do calor das acusações gratuitas e resultadistas

Não tenho de acrescentar muito ao que julguei necessário resumir do jogo, ontem. Caso contrário, a muitos dos críticos atuais, gostaria de saber, e recuperar, o que achavam da equipa, dos processos, das transições e da posse serena mas determinada, do tempo do Vítor Pereira. Eu sei o que se foi passando e tenho noção do que sucedeu e o próprio treinador bicampeão, segundo o insuspeito PInto da Costa mas a quem eu não dou crédito em demasia, quis sair por não aguentar as críticas dos adeptos (seriam?) e/ou comentadores.
Isto tudo se enquadra na pasmaceira do que é o FC Porto desde 2011, uma pasmaceira que só o temperamento e conhecimento de VP superou. Mas não quero voltar a falar disso, depois de tudo o que escrevi, mais e melhor do que ninguém, no passado recente. Entretanto...
Só agora comecei a ler alguns posts e comentários na bluegosfera. Mais do mesmo como o que disse acima e nas respostas aos comentários de ontem. Há críticas justas, mas a maioria funciona face ao resultado. Falar de desoreganização e buracos defensivos, citando até excertos de crónicas de jornal ou sites de bola, é ver pelo olho do cu, aquele que só tem uma visão e dá pelo nome do resultado que se cagou no momento. Foi o que sucedeu: saiu um resultado cagado do jogo de ontem.
Os buracos defensivos do FC Porto foram seguramente menos do que as ocasiões em que Adrián Lopez, Jackson (fez golo), Jackson (penálti falhado, mal marcado e claramente impróprio para ele que não os sabe marcar e mostra não ter convicção), Marcano (cabeceamento frontal para o 2-2, defesa de Patrício porque a bola foi para ali directa a ele).
Se me disserem que buracos defensivos portistas o Sporting criou por seu mérito eu rendo-me. Até lá fico só a digerir as desfeitas que um jogo de futebol pode deixar a remoer. Há problemas no meio-campo, sim senhor; Lopetegui não escolhe os melhores para as melhores posições, já é tão evidente que cansa; Maicon e Danilo, mais Casimiro, têm falhas inacreditáveis, torna-se já insuportável; nada tem a ver nem com a rotação nem com os que vão entrando: não foi pelo g.r., não foi pelo lateral-esquerdo, não foi pelo Marcano, infeliz no autogolo e infeliz por não ter feito o 2-2 que o FC Porto justificava plenamente.
O problema de fundo é mais da necessidade de estabilizar um sistema de jogo, algo ao acaso neste momento, do que os jogadores necessários para cada jogo: porque do primeiro pode nascer a complicação do segundo ponto, colocar os jogadores onde se deve e onde são melhores. Mas disso já falei há muito, por mim quero Oliver no meio e um 6 em condições fiáveis.
É flagrante que o FC Porto perdeu por culpa própria e não é preciso esmiuçar. Perdeu por si, não por o Sporting ser melhor. Talvez a estabilidade do Sporting - mesmo plantel, melhorado com Nani - ajude a perceber alguma coisa de positivo nesse lado e o facto de Marco Silva saber como se joga e o que se joga em Portugal. Mas ou temos um treinador estrangeiro - decisão de Pinto da Costa já explicada, mudar o paradigma - ou temos de aceitar um VP bicampeão contestado e um inesperado PF fracassado.
É claro que quando tudo corre mal, dificilmente pode andar para melhor. Não deu para emendar como em Lviv com o Shakhtar. E um jogo mal perdido, repito, não pode fazer perder uma época.
Tudo o resto é de quem anda ao sabor da corrente e emprenha pelos ouvidos mal enxergando o que os pobres olhos, às vezes traseiros, vislumbram.

18 Outubro 2014

Não há mal que nunca acabe

Em jogo e ocasiões criadas, e das boas, o FC Porto podia ter eliminado tranquilamente o Sporting mas acabou sucumbido a um rol de azares vários em que não deixam de caber os problemas recorrentes da constituição do meio-campo e as asneiras defensivas. Foi mais por demérito seu do que por mérito alheio que o deslize na Taça de Portugal começou à 1ª, o que não traz mal ao mundo nem acaba a época, apenas um troféu menos importante fica entregue à bicharada.
 
Mas o futebol premeia os eficazes e castiga os idiotas, por muito esforço e talento deixados em campo. Com um arzinho de sorte mas sem favor o FC Porto podia e devia ter eliminado o Sporting, mas fez um autogolo numa jogada que não teria consequência e uma das muitas de pontapé para a frente do Sporting; ofereceu um segundo golo; falhou um penálti e ainda contribuiu activamente para um terceiro tento. O penálti falhado deitou abaixo uma equipa que já tinha tido adversidades por culpa própria em erros reincidentes. E mesmo com o 2-2 sempre à espreita, o 1-3 final é castigo cruel para alertar de uma vez a equipa portista na forma de arrebitar caminho rapidamente.
 
De cada vez que se mexem duas peças simultâneas no meio-campo é sinal de que os eleitos para o onze não eram os melhores. Tem sido assim e desta vez não houve como recuperar. Depois, as asneiras de principiante deixam os cabelos em pé a quem já viu disto montes de vezes na época passada: veja-se o pontapé de Maicon da lateral para o meio, ainda que para um companheiro, mas que devia ter sido ao longo da lateral senão mesmo contra o adversário junto à linha para ganhar um lançamento. E Casemiro ainda fez um mau passe para propiciar ao Sporting mais uma ocasião de golo não criada, como no 0-1, e uma avenida para o remate de Nani.
 
Já não há pachorra para Lopetegui não meter um criativo no meio-campo: voltou a encostar Oliver Torres numa ala. E não há pachorra para as asneiras repetidas de Maicon a cortar e de Danilo a passar. A 1ª fase de construção do jogo portista não pode estar dependente de dois jogadores tecnicamente deficientes. Para mais jogando um ao lado do outro, o que desequilibra totalmente a equipa; de resto, muitos passes mal feitos quando a equipa já esperava no meio-campo contrário e a bola perdida fazia o Sporting parecer que jogava mas só aproveitava benesses.
 
Foi assim que se construiu uma derrota feia que atraiçoou a equipa, que jogou o suficiente para merecer outro resultado, e não fez jus ao futebol jogado. Mas sem o FC Porto pôr-se por cima do marcador é difícil engrenar. E duas mexidas no miolo indicam que a última opção de ataque quando perdes em casa tem de correr mesmo bem. Não correu, porque passes e remates (penálti de Jackson) foram sempre desperdiçados. Foi um jogo perdido por si mesmo. Se der para aprender alguma coisa, muita coisa pode ser salva esta época. Mas há que arrepiar caminho e isso passa por acertar processos como definir a equipa, proibir devaneios estúpidos de um ou outro jogador em especial na defesa e saber marcar a diferença ofensiva com golos e não meras oportunidades.
 
O futebol não sorriu ao FC Porto pelo resultado, mas o FC Porto tem de superar estes momentos. Hoje era difícil, perante tantos tiros nos pés, mas uma derrota não pode afectar em nada pois pode acontecer aos melhores. E nunca me pareceu que o FC Porto não fosse melhor do que o Sporting. Nunca teve foi a sorte do jogo e foi oferecendo os prémios da lotaria ao adversário. Que não tem culpa das asneiras e deslizes alheios e sobre quem o jogo não pode ser resumido como se tivesse sido o melhor em campo. Para o FC Porto, algo desafortunado ultimamente, não há mal que nunca acabe.

17 Outubro 2014

Conselho ao "bisconde" para se acolher na casa do Conde de Ferreira

Caríssimo venerado "bisconde" do Compo Grande,
 
faz Bócelênssia bem em enxotar a canalha e exortar a seguir outros caminhos menos ínvios a bem da bola que melhor bata na tola. Releve, porém, que nem toda a local massa ignara é igual, há uma franja resiliente que se senta no banco bom da sociedade elevada e erudita que sabe que campanário escutar o sino do apelo às almas puras. E acredite que, além de Bossa senhoria ao chegar entre hoje e amanhã trazer augúrios de melhor tempo, mesmo que uma pinga de abençoada chuva nos lembre de ser digno de aspergir-vos de bons sentimentos, muitos acorrerão às ladeiras do tortuoso caminho para ter a mais ampla e real visão do guia que felizmente a dibina probidência nos concede com a graça de todos os nobres cujos espíritos contemplamos com a maior admiração e perante os quais humildemente reverenciamos.
 
Isto para Bossa tranquilidade e sem prejuízo de confirmar os receios de Bocelênssia; e tome por prudente, tão sábio quanto sóbrio à Bossa atenção, o conselho de evitar a arruaça que uns meliantes Casuais podem causar a quem ordeiramente segue um trilho próprio rumo à Luz que melhor alumiar tão distinto caminho.
 
Procedente da capitolina Lisboa, teime amanhã em seguir a estrada aberta (ver mapa 'aeuro' local), essa serpenteante larga faixa castanha da visão altíssima que vos sirvo, apropriadamente apodada pelos locais de Via Certa do Inferno, vulgo VCI e eximo-me a trocar os vês pelos bês que Bossos olhos enxergam tão bem à distância. Quem vem e atravessa o rio, melhor ao largo da Serra do Pilar, e do velho casario que se estende até ao mar, faça o desvio do Freixo e olhe de soslaio para o mostrengo que possa erguer-se à sua esquerda, na subida aos infernos que tal aproximação tremuras lhe cause.
 
Escuse-se a ir a pé do antro da podridão, onde assaltantes vários atacam como testemunhado pela isenta Imprensa ao serviço de Bocelênssia e tão mau agoiro trazem como se viu no 31 (3-1) da última visita ao sertanejo mal frequentado. E não receie ameaças dos trogloditas, menos ainda dos caciques entronados, que pediam polícia e justiça no seu encalço: será a cavalo como cortejo de tão excelsa figura e com toda a justiça reverente ante sua magnânima forma de distribuir sábias baforadas pela incontornável bentoinha.
 
Decerto Bossos prestimosos esforços de consolidação do poder régio a que há-de chegar não deixarão de acompanhar as sortes de tão vasta e destemida equipa que tanto tem representado Portugal como é do timbre do clube que do País acolheu no nome leonino e tão sportibo. Por obras valorosas se ergueram tão distintos feitos internacionais para adequadamente ser o SCP digno portador do brasão pátrio, que isso de ter dado nome a Portugal foi em tempo de outras senhorias menos fidagais do que Bossa ascendência admite provir. E de freguesias lisbonenses nem vale a pena falar. Muito menos de retrógradas probíncias.

Daí, adiante, ser melhor seguir o caminho do mar e vislumbrar orgulhosas venturas rumo a Oeste, esse Far West que o digníssimo bisconde leva na alma de pioneiro com a tenacidade de um quacker desembarcado do Mayflower com a graça de borboletas e lírios e girassóis dos frondosos corredores dos balneários de Albalade: inopinadamente, terá diante de Bossa ambição o mesmo cenário idílico que de Lisboa se avista como de fácil conquista, tal como naus quinhentistas mas agora com os modernos serviços de propaganda e actualizados engenhos me(r)diáticos e tecnológicos ao dispor do único clube que se diz de Portugal, junto do qual o Atlético é, não de uma freguesia como o da outra da qual não se diz o nome por nojo, apenas o capacho, em Alcântara, por onde sobrevoa a ponte do nosso herói e mentor de Santa Comba.
 
Dê, contudo, conta (e verá facilmente a estrada bordejada, como acima antevejo, por homens bons e não os rascas tripeiros) que uma oportuna rotunda - as rádios dizem do trânsito ser o Nó das Ántas, mas não há nó górdio que sua habilidade saloia não saiba desmontar ao mais ínfimo pormenor - ao chegar ao pico da Bossa esmerada escalada a esconjuro dos martírios da fé que há-dem livrar do fogo eterno quem tão de acções tão alvas e altas se proclama em honra de ancestrais tradições, essa derivação lhe permite, pois, à direita, seguir os ditosos caminhos que outros nomes dinásticos estabeleceram em honra da boa saúde e alienada resiliência em bem acolher quem aquela casa cor-de-rosa visita, com frondoso jardim à entrada e abrir os horizontes de um verde imaculado em toda a propriedade e para deleite de Bossa senhoria. Consta até que hortas biçosas estão ao dispor de quem mais força de vencer demonstre e o caríssimo bisconde há-de mostrar trabalho depois de ter largado suas empresas para abraçar, desinteressado, a causa da enorme empresa que é o nosso nobre clube que aspira dirigir por mais de uma Guerra de Trinta Anos, como as coisas da História lhe contarão de outros tempos por leituras cavalgaduras cavalheirescas relevando tacanhas tamanhas aspirações.
 
Tome conta, lá no alto da arte de bem cavalar em toda a sela, deve logo também virar à esquerda mal encontre tal caminho pavimentado com os louvores que sua destreza merece e capaz de amolecer os rudes calhaus que nos entorpecem a caminhada. Como em terra onde ponha o olho, além de todos genuflectirem, sua ordem é acatada sem rebuços, não ligue a sinal proibido, pois dos senhores mais nobres de intenções é digno o reino das transgressões.
 
Defronte terá, sem desprimor para a heráldica e hierárquica precedência de Bosselênssia, a casa do Conde de Ferreira, edifício apalaçado e belo e entorno pacífico e romântico onde encontrará o necessário repouso após tão arriscada tormenta de aceder a terras de bárbaros na profundeza da probíncia. Consta que ali dentro, nos segredos que só mentes brilhantes podem manter, se procede às mais miraculosas profilaxias do espírito atreito a maleitas do diabo. Aí decerto comerá sopas e caldos para mitigar as dores do corpo e aspergido como é de livro será de unguentos e precações atinentes ao equilíbrio mental. Famílias há que se recolhem nesses aposentos de onde voluntariamente nem querem sair e decerto fará justiça aos ares bondosos e melhores tratamentos psicossomáticos face ao tão desacreditado Júlio de Matos que serve pobremente os crescentes pecadores da capitolina Lisboa.
 
Ficará ainda a salvo dos urros e bruás do covil do Dragão infame, onde é frequente e propalada a invasão dos gentíos a fazer tremer apenas os pobres [árbitros] de espírito, esse clube sem paz que se renega combater pela regeneração da bola tuga em boa hora assumida por Bocelênssia com a partilha do expedito mandatário da Liga já merecedor sem favor de um posto hierárquico de barão, quiçá duque para saber o que é a escalada das birtudes e o alcance das honrarias.
 
Ficará Bocelênssia num privilegiado promontório, que os locais desdenham como sanatório, mirando do alto da sua importância secular a temporalidade que Bossa acção determinada, estratégica e justa poderá alcançar ao fundo, passando pela dita Liga a seus pés espojada e o mar aberto que não lhe refreia o ímpeto de cabaleiro do apocalipse para conquistas que, qual Rei Artur, tem conseguido nas frias e húmidas ilhas da Velha Albion já derretidas ao som do seu Inglês Técnico e certeiras proclamações sobre fundos, dinheiros e mordomias que devem ser primorosamente libertas do pecado venial destes tenebrosos tempos que Bocelênssia tão bem sabe desconstruir.
 
E quando entender, sentindo-se repousado e convicto de ser bom ficar em nome da santa saúde da moleirinha cinzenta a que devemos dar cor e ânimo, ou optando livremente pela saída airosa de tão aconchegado ambiente de salubridade intelectual que merecerá os seus mais generosos elogios, pode meter pés ao caminho; perdão, mandar os servos carregarem a liteira que acima de todos Bossa atitude e alteza de carácter transportará com a protecção dos desígnios do Altíssimo. Os ébrios e demoníacos pantomineiros locais já terão caído em desgraça a pavimentar as esconsas vielas de lúgubres candeeiros amiúde sem cumprirem a função e deixarem esta parte do reino nas trevas.
 
Ficará, assim, logo bacinado para bisita seguinte na Liga de faca e alguidar montado para sangrar em nome de Portugal e para Honra, Deboção e Glória que tanto faz chorar amiúde suas militantes tropas sempre encantadas com epopeias sem par.
 
De Bosso admirador mais incondicional que supunhais ter tão bem infiltrado na terra de ninguém, as esperanças de uma boa biagem com estes conselhos que creiais meritórios e assegurada aventurança na Casa do Conde de Ferreira, vosso lídimo anfitrião que não enjeitareis por superioridade moral e estatuto nobre, nem por despeito face ao "bis" que vos põe acima de condes, marqueses, duques e barões já ameaçados com a Inquisição (o Barão foi, logo a abrir esta radiosa época de caça, excomungado), honrar com tão prestimosa presença caucionada por tonitruantes trompetas que salvificamente a anunciavam há semanas como sempre Bocelênssia faz questão de antecipar.