27 Agosto 2014

Parece que o Celtic arranjou um Preocupações Fonseca na Noruega


O Maribor há 3 ou 4 anos eliminou o Rangers da Europa, desta vez o Celtic vai ainda jogar na Liga Europa. O Benfica pelo menos perde o receio de jogar de novo no antigo Parkhead, onde se decapitavam os mais honrosos emblemas. Mas foi daí para cá, com uma despromoção administrativa pelo meio por questões de finanças, que o Rangers afundou. Gosto de saber disto para perceber o que pode suceder um dia, se...

Nunca percebi como Celtic, ou Rangers, escolhem jogadores desconhecidos e absolutamente brutos que nem o antigo William Wallace pretenderia para o Tartan Army ou um torneio de "no rules, great scotch", uma "dye hard performance" temperado pelo épico "Braveheart". Uma espécie de filmes de há um ano com o Barcelona: 2-1 no dia do 125º aniversário, 1-2 sofrido aos 94' no Camp Nou e um 2º lugar à frente do Benfica no grupo da Champions.

Para isto, tive de ir à wikipedia saber de Ronnie Deila, ainda não tinha fixado o nome e duvido da forma que é escrito, e ler a crónica do Celtic-Maribor no Daily Record. É preciso ter "guts", só o Celtic não os teve no sítio.
 
Recorde.-se que só sobreviveu na Europa pela secretaria, perdendo os dois jogos com o Légia de Varsóvia por uma utilização indevida de um jogador castigado, apenas durante 4', no Celtic Park. Esta barraca com o Maribor, replicando a tragédia do Rangers, é só o fim da picada.
 
Se o Porto precisa de um avançado ainda, vá buscar o Samaras, o barbudo grego de cabelo comprido, na hipótese de vender Jackson Martinez. Who knows? O Benfica com o Samaris e o Porto com o Samaras.

26 Agosto 2014

Competência em precisão e contundência

Não foi o jogo perfeito pedido por JL, mas andou próximo disso e, daí, comprovando-se a evolução da equipa à qual, repita-se, não se pode ainda exigir mundos e fundos. Mas confirmo que, claramente, esta equipa tem tudo para não só dar espectáculo em breve como para dominar o panorama interno e porventura ganhar tudo a nível doméstico, além de fazer boa figura na Champions para a qual se apurou com competência em dois domínios fundamentais: precisão e contundência.
 
Apesar da estratégia de jogo replicar as cautelas necessárias, como em Lille, para não deitar fora o bebé do apuramento nascido em bom momento com a água do banho que é o ambiente em que o novo FC Porto estava destinado a crescer, nas circunstâncias que se sabe e é redundante repetir embora se ande a repetir, por falta de ideias e preferência por bizantinices como a de Quaresma fazendo tempestade num copo de água, o FC Porto já mostrou uma face ainda mais madura do seu jogo, controlando a bola, manietando o adversário e assenhoreando-se do jogo. O Lille é incómodo, tem jogadores bons individualmente e perigosos no contra, mas voltou a preferir arriscar pouco, quiçá presumindo um FC Porto de ataque avassalador. Sai, amiúde, um FC Porto dominador da bola e senhor dos tempos de jogo, com uma capacidade técnica individual bem aflorada no contexto geral de um colectivo forte em posicionamento definido e sem cair nas asneiras de principiante que só um treinador imberbe como o Produções Fictícias não lograva perceber e, daí, corrigir.
 
Isto não vai ter nada a ver com o desastre futebolístico da época passada porque este Lopetegui, conquanto tenha ainda de provar ser de cepa superior, pode ser novo a este nível e neste contexto de máxima competitividade mas actua, é enérgico a corrigir e não o contemplativo que vai aplaudindo até as mais básicas asneiras: o FC Porto não dá erros defensivos nem nas bolas paradas e até Danilo já aprendeu a defender. E agrada-me até o discurso do treinador. Do que restava da época passada ainda se vêem alguns passes longos a cruzar o campo com probabilidades de erro (intercepção), mas são até mais as vezes em que Oliver e Casemiro metem a bola que é um primor. E tudo com a equipa em progressão, sempre mais jogadores à frente da linha da bola do que atrás dela e com posições bem ocupadas e não vazias por tontos que não sabiam o que fazer e por onde andar: a quem alvitrava que o 20 de Carlos Eduardo fazia lembrar o Deco eu dizia que Carlos Eduardo nunca andava onde era preciso.
 
Há já um trabalho de treinador notório e notável para o cimento aglutinador - já usei a expressão esta época e só tomei em conta a preparação desde o último jogo da pré-época não competitiva em West Bromwich - que é o modelo de jogo, essa entidade que não se diz em duas palavras mas para bom entendedor percebe-se em duas penadas. Acima disso, uma série de jogadores de um quilate muito acima desta Liga. Oliver encanta-me, Brahimi é uma gazua, Rúben Neves amadurece rapidamente embora tenha saída desgastado e já a acusar a pressão competitiva contínua, prevendo-se que descanse em breve, a defesa acertada, adoro o Martins Indi e Maicon voltou ao seu nível, os laterais defendem bem face ao que faziam, o meio-campo é diligente a defender e a soltar a equipa na frente e Jackson está mais animado que nunca, creio que mais entusiasmado mesmo em relação ao primeiro ano no Dragão em que foi um furacão. Está tudo bem? Não, prefiro o Oliver no meio, o Evandro marca pontos e o desembaraço para encaminhar rápido a jogada do 2-0 é de mestre a soltar na esquerda Brahimi.
 
Brahimi marcou um livre, esse sim, perfeito, como há muito não se via e até raramente se vê. Manuel Queiroz evocou Flávio, que eu lembro bem dos anos 70, mas não era preciso recuar tanto. António Sousa batia a "folha seca" como ninguém, sucessor de António Oliveira, mas contemporâneo de Sousa era Madjer que igualmente tinha um primor nos livres directos. Pois Brahimi já faz lembrar Madjer em pormenores técnicos deliciosos acrescidos de um poderio e pique físico invejável.
 
E ainda não vimos Adrián Lopez, já se vislumbrou Tello e esperamos por Quaresma, havendo muitos outros para revelar, a época será longa, preenchida, com vários títulos já na mira e decerto muito divertimento.
 
A precisão de Brahimi no 1-0 teve como complemento a contundência no ganha a bola-passa rápido-desmarca logo-chuta bem, entre o roubo de bola na divisória, o passe para o lado e a seta apontada à baliza com Jackson como farol da jogada e finalizador exímio. Um golo fatal, de compêndio a coroar uma jogada perfeita e ilustrando a maturidade nascida em poucas semanas de profícuo trabalho de um treinador ele também de eleição. Uma maturidade, dito acima, trazida por Evandro, em contraponto ao declínio natural do puto Neves. Temos homens para a rotação, falta peneirar o plantel a inscrever na Champions, mas todos farão falta.
 
Está garantida a Champions e o pote 1, mas os grupos serão difíceis e só há duas ou três favas a apanhar, tipo Ajax, Maribor e APOEL, faltando ainda os resultados de amanhã antes do sorteio de 5ª feira.
 
Mas, talvez a reforçar o nervosismo de Jesus e o desnorte do Benfica no mercado para mais sem financiamento, como na vindima, de "bica aberta", digo já que o nível deste FC Porto é já, e será mais, muito superior ao do Benfica da época passada, para não falar do Sporting que acredita no seu Messias ou Nanias ao jeito do filho pródigo para fazer alguma diferença.
 
Os adversários antes tão preocupados com a "aposta arriscada" no treinador sem currículo e "um plantel de espanhóis que o treinador escolhe invertendo a política da SAD", além do "desastre financeiro se a Champions correr mal", podem tirar o cavalinho da chuva e orar já a Santa Bárbara antes que troveje. Este FC Porto não terá rival em Portugal esta época, assim as coisas se encaminhem bem com vitórias para dar confiança e fazer a equipa perder ainda algumas amarras, naturais, que revelou num contexto difícil num momento sempre delicado de início de época, Champions para entrar, campeonato para pontuar e equipa para formar. Esquecer isto é pensar que Roma e Pavia se fizeram num dia.
 
Se os palradores do costume, como voltei a ouvir na TSF enquanto procurava uma farmácia e não era pelo Kompensan, ainda se deleitarem a falar de Quaresma - "um jogador mais" - sem perceberem a direcção e a dimensão do crescimento nítido deste FC Porto tanto melhor. Comem da mesma palha que dão a quem aceita bovinamente ouvi-los. Bom proveito.
 
NOTA - Antes de ver na net os resumos da noite, confiando já no desastre do Celtic que, como há três anos o Rangers, teve a sua noite de Mariborrível, vi como o M. United levou 4-0 do MK Dons. Podia refletir-se, mas a manada continuará a leste de tudo. O declínio, fast and clear, do que foi uma força sem igual além-Mancha não é facilmente revertível só com di Maria e van Gaal já tirou o cavalinho da chuva quanto ao título: "Vamos pensar em não descer de divisão". Brincalhão, como Jorge Jesus sobre o fico ou saio do Besfica. A degenerescência do M. U. podia tê-la seguido o FC Porto se não mudasse completamente o rumo desportivo com a catastrófica época passada e um somatório inacreditável de erros de casting. O FC Porto, entretanto, iguala as 19 presenças de United na Champions, que era o recordista e nem à Europa vai. Vale a pena pensar nisso. Mas, who cares?

In-com-pe-tên-cia (num país) de mer-da!

O futebol português é isto.

Na selecção mantém-se a incompetência generalizada. O presidente assume a culpa e denuncia a estrutura. Consequências? Nenhumas, baralha e torna a dar de novo. Pudera: já tinha caucionado a continuação do medíocre seleccionador com renovação de contrato. O funcionalismo público no Portugal socialista é assim. E distingue-se do do antigo regime: havia vergonha na cara.

Afinal, a culpa foi do médico. Henrique Jones, de resto, era uma figura patusca numa estrutura apalhaçada. Foi Beto, e não o médico, a anunciar no Mundial a recuperação de CR7... Por falar nisso, quem manda na selecção tem sido a pergunta da ordem e CR7 esteve às ordens de José Carlos Noronha agora escolhido. Não é que CR7 se reabilitasse. Mas já não há dúvidas sobre quem manda na selecção.

Ah, os alemães tramaram-nos outra vez, distraem-nos com a Troika, as finanças e a economia e não fazemos um calendário competitivo como deve ser, boches do caralho!

Nem era preciso saber, bastava ver quando CR7 e Pepe, normalmente os dois, eram poupados pela besta do Bento. A selecção é um esgoto a céu aberto, nada há a esconder. O Continente vende entradas com metade do preço a acumular em cartão. E há pais que levam os meninos a ver os "ídolos" quando no Continente há placas de argila para moldagem bem mais baratas.
 
De resto, Simeone levou uma acumulação de jogos por um cachaço num árbitro, por palavreado barato e até resistir à expulsão indo para a... bancada. Num jogo, um adepto deu um cachaço num árbitro e o clube local só pagou 2500 euros de multa. O treinador do Benfica é expulso e vai para a bancada mas, apesar do rol imenso de ordinarices e tumultos que não parecem acumular nada a não ser o normal encolher de ombros no país dos brandos e socialistas costumes como o trivializar os "meets" e esquecer agressões de alunos a professores e espancamentos entre alunos com via aberta nas redes sociais, tudo é relativizado. Não admira.
Os exemplos da decadência têm uma raiz moral. Tudo o resto fica no mural das lamentações quanto ao que somos e porque somos assim. Não era assim, passou a ser porque os novos polícias dos costumes, da escardalhada militante e só ela com acesso privilegiado aos pingarelhos que permitem isto nas tv's da parvalheira, ditam que a "culpa da sociedade" e a "tolerância dos magistérios" devem dar cursos abertos de incivilidade.
 
Não se estranha. Um país de merda é feito por estas pequenas bostas e esta gente de esterco.

Enquanto não se vê Quaresma... nem o sucedido no Bessa

Sucedem-se as teorias da especulação. Falta objectividade e campeia a sub-informação, alinhando-se opiniões pelo mainstream. Umas mais benévolas que outras, algumas contrapondo o "perdoa-me" de certos sítios ao "desculpem o meu erro". Acção, reacção e omissão. Aliás, quase já se excluira Quaresma do Dragão. Entretanto, calaram-se as matracas. Não há mais nada a dizer, é ver como S. Tomé... Os charlatães existem, mais do que os exorcistas em que não acredito. Não sou de bruxarias, nem que em Espanha digam que las hay.
 
O que é a informação? Percebe da "agenda" informativa? Acredita na similitude dos telejornais e alinhamento dos pasquins? Deixou de comprar jornais porque não pode ou porque não quer?
 
Há dias vi com surpresa até uma pequena reportagem de uma equipa de fut feminino apurada na Champions do género. Não mais ouvi falar, e contudo já saiu o sorteio das duas próximas eliminatórias que tive de ler no site da UEFA.
 
Paralelamente, este fds, concluiu-se o Mundial sub-20 feminino, no Canadá. Ganhou a Alemanha. Só faltou dizer, como no Mundial do Brasil ou no Europeu de sub-19 para homens e espigadotes respectivamente, que no final ganham sempre os alemães. Mas do Alemanha-Nigéria de Montereal nem uma palavra, nem uma imagem. O fut feminino nem é uma moda, é um acaso, em Portugal e uma coisa surreal num qualquer telejornal da parvalheira.
 
Por sinal, o Eurosport transmitiu a final ontem de manhã. Um tipo que só conhecia pela voz, e não pelas melhores razões de a ouvir nos sorteios ou noutros resumos, fartou-se de se chamar Nuno Santos. Não sei se é um que, há anos, apareceu em A Bola num broche fantástico só admissível entre amigos sodomitas: o tipo palrava no Eurosport mas tinha uma casa de bifes que valia a pena. Dos bifes não sei, mas de futebol não percebe um corno. Depois, é burro que se farta. A Nigéria perdeu no prolongamento com uma melhor equipa e melhores jogadoras, tanto que a Ashoala foi a melhor jogadora e a melhor marcadora do torneio. A moça joga mesmo bem, faria corar alguns rapazes no trato da bola e em velocidade é um Hulk em potência, apesar do físico de menina que os compatriotas sub-20 normalmente vistos no Mundial do seu género multiplicam por 4 Hulks... E a Nigéria perdeu, contra uma Alemanha cujas avançadas me pareceram piores do que as restantes colegas nos outros sectores, porque a Ashoala marcou um golo que não devia quase aos 90'.
 
O golo foi bem invalidado, a bola ia para a baliza por obra de uma colega nigeriana e não havia necessidade. Porque, como se via facilmente nas imagens, a Ashoala estava já adiantada em relação à linha da bola e não havia defesa a pô-la em jogo depois de a g.r. alemã - por sinal a melhor do Mundial - ter sido batida irremediavelmente. Mas o tal Nuno Santos, que não tem voz nem conhecimentos, estranhou que o golo fosse invalidado.
 
Para a história ficou o título da Alemanha. Mas em O Jogo não li uma linha, na edição de ontem (ACT, refiro a notícias do Mundial, a final foi de madrugada e só hoje publicaram sem referência ao 3º lugar da França com 3-2 à Coreia do Norte). Pudera, um desportivo dito nacional não acompanhou o Nacional na Bielorrússia. Isto é para levar a sério? Por sinal, no caminho da fase de grupos, além de um extraordinário 5-5 - que iguala um Portugal-Serra Leoa (salvo erro) no Mundial sub-17 na Finlândia, creio que em 2003 estabelecendo um recorde como empate com mais golos em todas as competições da FIFA - com a China, a Alemanha despachou o Brasil com 5-1 e não estava lá Scolari...
 
Enfim, com coisas assim, nos mais pequenos pormenores, mesmo ao "ralenti", não é possível explicar o que é um fora-de-jogo e um golo bem invalidado. É possível descortinar que qualquer burro carregado de livros é um doutor e o estado da informação e do divertimento é uma confusão pegada a que já se encolhe os ombros.
 
Também não é uma questão de opinião apenas: quando Brito remata à baliza do Benfica, há um jogador do Boavista em fora-de-jogo quase imperceptível que interveio no lance segundos antes. A regra que conforma a Lei do Jogo diz que em caso de dúvida favorece-se o atacante. O Boavista devia ter feito o 1-1 mas isso quase passou despercebido.
 
Passou despercebido como passaram despercebidos desacatos à saída do estádio e várias atropelias cívicas características das gentes oriundas de Lisboa e arrabaldes mal formados.
 
Como passou despercebido o que Jesus terá dito ao árbitro para ser expulso ao intervalo.
 
- ó Marco, nem destrato a tua mãe, mas olha que penáltis como o do Jara já o Roubarte Gomes marcou ao FC Porto no jogo do apagão da Luz e ainda este Verão, na nossa apresentação aos nossos sócios que dão cachaços em árbitros e só pagámos 2500 euros de multa, o Hugo Miguel também inventou um sobre o Jara contra o Ajax.
 
É claro que a Imprensa veneranda passou ao lado, não ouviu, não viu, não suspeitou e, portanto, não investigou. Não há assunto, não há notícias; se há assunto mas não convém, não há notícias; se sobrevivemos até aqui a fazer isto ´no século XXI onde toda a gente vê na tv e comenta na net, também tão cedo não morremos mesmo que o fim da Imprensa escrita em Portugal esteja previsto para 2028.
 
Em tempos, se não na última época do Boavista na I Liga pelo menos na penúltima, uma altercação foi noticiada num Boavista-Benfica. Rui Costa esmurrou a porta do árbitro Lucílio Baptista. Testemunhas verificaram podendo circular no túnel e com os vestiários acessíveis da sua entrada. Escreveu-se o caso no Rascord, mas o jovem jornalista foi repreendido no dia seguinte. Um dia depois, o veredicto era garrafal no jornal pasquim: INOCENTE. Rui Costa bateu na porta do árbitro e insultou-o, mas como o árbitro não teve colhões para o escrever no relatório, a absolvição era automática.
 
Sic transit gloria mundi

Como passar por cima de alguma coisa que belisque a aura de intocável do benfiquismo?
Simples, O Jogo de hoje, como o de ontem, fala de Munir, na última página, sem referir que um dos golos-maravilha do puto do Barça foi na final de Maio na Youth UEFA League, com um golo do meio do campo no 3-0 ao Benfica. A Imprensa norte-coreana faria melhor, nem dedicava uma linha ao puto... mais valia não falar do que falar com o carimbo da autocensura caucionada pela sub-informação do costume...

25 Agosto 2014

Di Maria, o melhor de 2013-14

 
Há um ano era dado como descartável e, para mim, tornou-se o jogador mais influente e o que ergueu o Real Madrid quer em Espanha, quer na Europa. Para mim, já o disse ao fechar a época, o jogador do ano na Europa foi Angel di Maria (corrigi o título), em rija disputa com Gareth Bale. O argentino jogou como nunca, talvez tenha atingido o seu pico, porventura inalcançável, soube defender com afinco e era uma faca afiada no contra-ataque magistral que Ancelotti melhorou em relação a Mourinho. Di Maria enchia o campo e saía como um toureiro em casa jogo, em ombros e sob aplausos. Fiquei impressionado, ao longo da época, de resto confirmado na final da Taça do Rei com o Barça (golo inicial), depois na final da Champions em Lisboa, já quando Ronaldo não contava para o totobola e os êxitos chegaram sem o português valer alguma coisa nisso. Quando o Madrid estava em baixo era di Maria quem o levantava, com sprints vigorosos e golos oportunos, nunca em bicos de pés e sempre nos píncaros dos momentos geniais dos jogos. Depois apareceu Bale, com slaloms mais directos. E à custa de ambos viveu Ronaldo, com uma catrefada de golos onde era basicamente só necessário encostar.
 
Quando troca o Real Madrid pelo Manchester United, depois de um Mundial igualmente fabuloso em que repartiu bem com Messi, e tanta falta fez depois de lesionado, a responsabilidade de levar longe a Argentina no Brasil, di Maria merecia muito mais do que 70 ou 80ME pela sua transferência, porque é claro que o Real Madrid o renegou, parece que tinha o destino traçado com as ocasionais injustiças do futebol. Sem se saber se o futuro tratará de o confirmar ou esquecer, se o MU melhorará com ele e o RM aguentará sem ele.
 
Como sou do Barça, alegro-me ver partir um adversário perigoso que fez a diferença na época passada. Mas deixar de vê-lo na Europa (MU ausente) é um crime de lesa-futebol. Gostava que o grunho do carvalho o resgatasse como fez ao Nani... Isso custará pior do que o asilo, ainda que dourado, em Inglaterra: não ajudará a incluí-lo no trio final do FIFA Player of the Year. Há transferências milionárias que ficam ensombradas para sempre.

Em tempo: só agora li o editorial de um dirctor sábio, correcto e escorreito, Alfredo Relaño do Ás. Diz:
Compareció Ancelotti ante la prensa para decir que se va Di María y Khedira se queda. Natural. Di María puede ser transformado en un cheque valioso, Khedira no. Khedira es un buen jugador, fogonero del medio campo, pero Di María es algo más, porque va y viene y además rompe. El Madrid ahora le culpará de que se va porque quiere. Pero quiere irse porque en su puesto ficharon a Bale y cuando se adaptó a otra zona del campo, con esfuerzo y éxito similares, le ficharon a James. Y le ofrecieron renovar pagándole como el número once de la plantilla y él piensa que era más que eso.
Di María es un buen jugador y además tenía para este Madrid un valor estratégico sobre el que no hay que insistir. Su cadáver no hay que cargarlo sobre la espalda de James Rodríguez, que además podría con ello, a poca suerte que tenga. Es un jugador extraordinario. Si Di María, estrella de la final de la Décima, se va, es porque este Madrid está concebido desde las luces de neón, no desde una lógica futbolística. Es un Madrid de programación alocada, al que le sobra dinero para juntar a Cristiano, Bale y mejorar el sueldo a Benzema. Eso sí: no hay dinero para retener a Di María, que no vende camisetas.
El curso pasado las encuestas daban que Mourinho era ‘antiespañol’, como consecuencia de lo cual el Madrid compró a Illarramendi e Isco por casi 70 millones. Ahora que España ha dado el cante en el Mundial, lo español no viste tanto, así que en sus lugares vienen Kroos y James, figuras en Brasil. Pero como el dinero no es infinito hay que vender a Di María. Y Ancelotti que se apañe. Él levanta la ceja, dice esto y lo contrario, sube los hombros y si le gana el Atleti qué se le va a hacer. Ahora viene el Córdoba. Le faltará Di María, pero allá se las apañe. Tiene buenos jugadores y ya salió del paso el curso pasado.

24 Agosto 2014

Viver sem Xavi e sem Messi um dia será ainda mais difícil

Ver o 4 nas costas de Rakitic sem sequer se assemelhar ao jogador que foi Guardiola com aquela camisola, nem sequer parecer Fàbregas que jogava mais adiantado, sendo o croata mais um 8 a empurrar Esnaider para o flanco quiçá em definitivo, ainda podia suscitar sentimentos contraditórios. Mas a ausência do 6 de Xavi (no banco) indica-nos que a mais famosa equipa vencedora da história do futebol deixará a conta-gotas as marcas da passagem do tempo ainda que facilmente avivadas pelo recuso ao replay, sem pagar direitos de autor ou fazer recuar a internet já perscrutada de forma infame pelas NSA desta vida como se os EUA quisessem cobrar também aí direitos de autor. Piquet estava na bancada, mas a extrema unção à dupla celebrada com Pujol já a dei há muito: o capitão encostou e o Beckham da Shakira não tem pedalada para isto e só se notabilizava pelas barracas dadas nos piores jogos do Barça. Mathieu, o francês lateral-esquerdo do Valência, parece fazer bem de central (com Mascherano, expulso).
 
É sempre reconfortante ver Messi esgueirar-se por entre defesas amontoadas ao meio (1-0) ou esfrangalhar lateralmente a cortina que se desfaz com duas simulações e um tiro certeiro rasteiro aberto o buraco pretendido. E perceber que com Munir, o do golo do meio-campo ao Benfica na final da Youth Champions em Nyon, o Barça volta a luzir com produtos da cantera, de resto celebrando a estreia do puto de 18 anos com um golo de classe, perdida a vergonha inicial que o fez desperdiçar um passe magistral de Messi que jogou atrás do ponta-de-lança onde Ibrahimovic dizia que ele não queria jogar...
 
Mas como no FC Porto de Preocupações Fonseca, é tempo de esquecer a horrível época anterior com o Produções Fictícias tata-bitata argentino que inventaram há um ano em Barcelona. E vamo-nos despedindo de Xavi aos bocadinhos. Pedro vai ficando no banco, entrando aqui e ali, Esnaider parece mais só se Messi não encher o campo e mostrar uma garra que não se via há um ano.

Hoje, ao ver o resumo do Chelsea, nem percebi quem era o 8: Lampard fou uma lenda e já parece ter sido há séculos.

23 Agosto 2014

Quaresma tem lugar

Não sabemos ainda o que dará a lesão de Tello, mas o substituto Quintero e o outro, como Tello, entrado a titular, Adrián Lopez, não justificaram as apostas do treinador pelo que, estou em crer, Quaresma deve retomar o seu lugar na 3ª feira. Lopetegui, claro, é quem manda: fez 4 alterações no onze mas, prudentemente, só mexeu num defesa, Ricardo por Danilo. Começou a gestão e nunca se sabe bem como acabará, porque não há prognósticos antes do fim para estas coisas. Evandro fez o posto de Herrera mas este lá entrou para reclamar a sua posição, ainda que com pouca evidência e a confusão do costume na decisão de passar ou progredir sozinho e sem nexo. Pareceu-me que o FC Porto piorou a meio da 2ª parte com Herrera, mas a verdade é que Quintero e Adrian Lopez deram largura mas não profundidade. E o FC Porto jogou no limite do risco, porque o 1-0 nunca é seguro, ainda que o Paços não tenha criado ocasiões flagrantes. Aliás, ao estilo cagão do seu Preocupações Fonseca, o Paços nada arriscou, queria ganhar quase sem rematar: é bola para a frente e fé em Deus...
 
O PF foi prudente e deu a iniciativa ao FC Porto. O FC Porto foi macio e pouco ágil na circulação, chegando pouco à área e sem muito perigo. Só quando Oliver rendeu Ruben Neves é que a posse e o passa saíram melhor. Oliver Torres é fundamental no jogo mas as peças devem encaixar melhor quando todos tiverem minutos e intensidade, algo que Quintero e Adrian, sem utilização até agora, não puderam dar.
 
No contexto da gestão do plantel e do calendário, com dois jogos muito importantes na Champions entre campeonato onde é proibido perder pontos, o FC Porto voltou a sair-se bem e passou sem sustos de maior na Mata Real. Tem os seus móveis mais arrumados atrás e JL é inteligente em não mudar muito. Provavelmente, com o Moreirense, poderá ser Alex Sandro a repousar. Certo é que os minutos e a rodagem devem ser dosificados desde o início.
 
Com palavras ou sem palavras, a rotatividade é isto, embora com riscos. Infelizmente, Tello não teve sorte e mesmo ficando de fora, com a produção menor de Quintero e Adrian Lopez, Quaresma é trunfo e provavelmente jogará com Brahimi na recepção ao Lille, tal como Danilo. Resta saber se Oliver tirará o lugar a Herrera no meio ou se Quaresma fica de fora em favor de uma táctica maus cautelosa para não deixar fugir o pássaro da Champions que o FC Porto tem na mão. A gestão cabe inteiramente ao treinador e percebeu-se, hoje, pelas opções tomadas, que o seu caminho está traçado, presumo que os jogadores o saibam e o diálogo ponha todos no mesmo barco a remar para o mesmo lado. Não há titulares e para já parece que é a defesa o sector mais definido, bem como a baliza, e do meio para a frente, com as alternativas disponíveis, tudo é possível, até Evandro tem sido utilizado de uma forma que talvez não se esperasse. Pelo que JL continua a conduzir a equipa e o plantel com o delicado sentido do dever, da justiça e sem perder a noção dos resultados. De resto, no campeonato, muitos jogos são assim. Na Champions, como em Lille se viu, idem aspas. O FC Porto tem dado conta do recado nesta fase de transição e revolução que nunca é fácil de gerir nem de acompanhar para quem está de fora. Evitam-se especulações gratuitas e definições precocemente tomadas como sentenças.
 
Quaresma tem lugar, o FC Porto está a carburar, Jackson a marcar, os jogos a correrem sem problemas de maior. Nesta fase era difícil pedir mais e melhor. Missão cumprida, so far, so good.

Não façam filmes

A exclusão de Quaresma dos convocados para hoje é menos normal do que o suplício da sua suplência, como ele mesmo admitiu,  em Lille. Normal, e não é de somenos, é muitos portistas não pegarem no tema. E tem para pegar, nem que seja, como deve ser, para fazer pedagogia. Não para filmes. O tema, de momento, nada quer dizer. Pode ser um aviso ao jogador que saiu disparado para o túnel sem ir despedir-se dos adeptos em Lille, depois de ter chamado, como capitão, os colegas para se despedirem dos adeptos em West Bromwich no último jogo de preparação.

Quaresma não ficou sozinho, Danilo também está poupado. Não acredito que uma mão lave a outra e sirva para encobrir. Temos que nos habituar, os jogadores devem habituar-se. Rejeito, por isso, lavar roupa suja e partir para a especulação. Não tem sentido. Quaresma fez um tweet nesse sentido.
 
Decerto não há coisas por acaso. Pode haver "inconseguimentos", segundo a portista Assunção Esteves na Presidência da AR, por Quaresma ter estado muito bem com o Marítimo até passar a suplente em Lille. Mas a estratégia cabe ao treinador e as opções acompanham-na, sendo inverosímil que JL tenha castigado o jogador na Champions depois da sua influência na Liga interna. Este acto de autoridade do treinador pode ser para, suavemente, marcar a posição e desmarcar eventuais egos perniciosos. Por isso JL tem caído no goto dos adeptos, sem espaventos, com seriedade e sobriedade, sendo já indisfarçável a sua marca.
 
Mas pode ser por Quaresma não ser adaptado para P. Ferreira, pelo que resta ver o onze de amanhã e como correrá o jogo na medida das alterações a fazer no seu decurso. Danilo não jogará e, assim, quem para a direita? Note-se que ainda estamos na pré-época, embora a sério e a contar os pontos, pelo que o treinador vai fazendo a ambientação competitiva com o comboio em bom andamento.
 
Não vale, quanto a mim, a pena fazer filmes. Não creio que Quaresma os vá fazer, pelo menos está notificado para não se atrever. Se tudo correr bem, pode ser um bom sinal inicial. Sem teatros desnecessários ou idas ao confessionário "Perdoe-me" digno de meninos da escola. Por sinal, Quaresma é um dos veteranos entre tanta juventude da equipa. O que casa bem uma coisa com a outra. E a responsabilidade oferecida pela braçadeira é ainda o maior teste para Quaresma superar. Se for um grande capitão sairá a ganhar e a equipa empolgada pelo exemplo. Adrián Lopez e Tello têm mais currículo do que Quaresma, se virem bem, e não se queixam, apesar do reparo à equipa "dos espanhóis" sem que se veja serem mimados pelo treinador compatriota: não houve 11 algum ainda com maioria de espanhóis. E JL tem mostrado saber o que faz. Os jogadores devem confiar. Os adeptos apreciam seguramente. O futuro só pode ser risonho. Mas admito que o treinador tenha de falar claro aos jogadores sob pena de os perder ou permitir a confusão. Não acredito nisso.
 
Com as coisas bem feitas a bilheteira sai a ganhar à mesma, todos lucram, todos se valorizam, ao contrário do ano passado. Para ganhar é preciso bons jogadores e bom treinador, até o bronco do Jesus percebeu e pede qualidade porque sem ela não ganha nada, ninguém ganha.

22 Agosto 2014

O Marcelino também vai para o FC Porto ou está "Sem Esconderijo"?

Não é uma contratação espanhola a somar às desta época. Mas fiquei surpreso com a notícia de hoje no JN, da substituição de João Marcelino como director do DN, pelo André Macedo, do Dinheiro Vivo, suplemento bom de Economia que trouxe valor quer ao DN quer ao JN sem eu fazer ideia como aquilo nasceu.
 
Depois da integração de Manuel Tavares na Porto Média, por relevantes serviços seguramente prestados, os arrufos do passado entre Pinto da Costa e Marcelino não interfeririam com a entrada deste no universo portista. Afinal, quem tanto criticava "o amigo Joaquim" e dele dizia o que Maomé não dizia do toucinho, acabar por vir a ser o delfim de Oliveira no universo da Controlinveste é sinal de que qualquer porco anda de bicicleta. E mesmo o "off the Record", por sinal por causa do irmão António, nem impediu Pinto da Costa de andar com beijos e abraços com Marcelino, como este de se aproximar e tornar-se braço direito e dilecto de Joaquim Oliveira.
 
Sempre me escaparam certas coisas, para lá da honra e da decência humanas, no universo da Comunicação Social em Portugal em que já vi tanto porco andar de bicicleta e mais ainda a irem comer à mão dos abastados comensais do negócio, mais do que os que cuspiram no prato onde comeram. Aliás, o sinal de mediocridade na afundada área da Imprensa em geral fala por si. Dificilmente se topa um bom director e sobram directores apenas de sub-informação, aquela enviesada deliberadamente para servir os interesses dos poderosos e da qual praticamente ninguém escapa.
 
Sem dúvida que o universo da Comunicação Social irá mudar, pois antevê-se raios e coriscos pelo andar da carruagem. Não sei se para melhor...
 
Enquanto se vê na RTP 1 mês de reportagens publicitárias gratuitas do Algarve, num frete comunicacional rareado de notícias e menos ainda de acontecimentos dos quais não se sabia, como a gastronomia e a paisagem, as areias ou as águas, o caos de Agosto que regozijava Guterres - "Há 1,5 milhão de portugueses de férias no Algarve", ufano ao inaugurar a A2 para sul - tem o seu pecado estrutural que, como é típico do tuga dos salamaleques a venerandos senhores e seus interesses, apanha a Saúde - e lá abriram os telejornais com greve de enfermeiros e lamúrias sindicais em que nem isso é novidade. Durão Barroso ex-futuro emigrante em Bruxelas bem dizia que não haveria estádios novos [Euro-2004] sem hospitais decentes nas capitais de distrito. Sócrates levou a dele avante [foi o governante que impulsionou a primeira grande PPP generalizada com os diversos estádios e os favores ao Benfica] e ninguém mais falou disso. O caos do Algarve parece ser surpresa só para os distraídos ou repórteres que lá andem de férias.
 
E remeto para o livro sobre Edward Snowden "Sem Esconderijo" que acabei de ler e cujas peripécias os telejornais da parvalheira já esqueceram porque os americanos também não lhe dão mais importância devido ao incómodo. Na Pátria da Liberdade e no Paraíso da "Free Press", o autor Glenn Greenwald, que entrevistou Snowden e publicou relatórios arrasadores sobre a NSA espiar toda a gente desde o labrego do Midwest à Merkel de Berlim, com total impunidade e cobertura tácita do mago Obama da Administração mais transparente da história e que, como Sócrates, se tornou no presidente que mais jornalistas perseguiu em poucos anos, é ainda mais demolidor no tratamento dos média de Washington e a balofa "patine" de títulos como o Post ou o NY Times mais os seus jornalistas multimilionários. Ler, fora as tramoias da NSA que Snowden revelou com vergonha e medo do que era o alcance de tal intromissão na vida privada de milhões de cidadãos como era possível na URSS ou ainda é na Coreia do Norte, o que se escreve das negociações para publicar histórias "com o conhecimento da Administração" americana e o que se diz dos jornalistas yankees é perceber porque os índios foram varridos do mapa e contidos em reservas.
 
Algum jornalista português que, lendo aquilo, não core de vergonha por perceber que o mesmo se passa na pátria tuga onde tantos batem no peito é o jornalista do sistema, do regime e da puta que os pariu.

20 Agosto 2014

É, vai ser um cabo dos trabalhos

O FC Porto ganhou em Lille e este 1-0 não teve nada a ver com o último triunfo europeu fora de casa, em Viena. Esta equipa, ainda em construção e com jogadores como Quaresma, Adrián e Tello no banco para acomodar os que têm a preparação mais atrasada mesmo que outros, como Casimiro, entrem e justifiquem a titularidade apesar de ainda não dar para uma consistência de 90 minutos, vai mesmo fazer uma boa época e até dar espectáculo, estou convicto plenamente.
 
Acontece que, nesta fase de crescimento acelerado auto-imposto, tem de ser assim e para já está bem. Embora não tenha percebido a intenção do técnico JL em colocar o Oliver à direita, onde não rende como no meio nem é tão perigoso como atrás do ponta-de-lança sendo que o seu futebol curto mas de passada larga e passe fácil fosse necessário com os combativos gauleses, não está ainda na hora de discutir opções: seria estultícia. Mas a entrada de Quaresma no final, por Oliver, embora sem reflexo no jogo, indicou que podia e devia ter sido assim.
 
Não sou de prognósticos só no fim e, de resto, já me pronunciei sobre a nova vida do futebol portista, quer com a contratação de JL quer com a prevista aposta em jogadores espanhóis ou de Espanha, como Brahimi que ele conhecia de lá (Granada). E tanto assim é que, logo antes do golo de Herrera, com a entrada de Tello eu desejava que entrasse alguém(Quaresma ou até Adrián) para tirar Herrera e meter alguém forte no flanco esquerdo. Pois Herrera marcou e não vou dizer que não achava que ele devia ter saído. Correu bem, para Herrera, para o treinador que teve logo a aposta ganha em Tello, para este que vai mostrando ser decisivo em minutos de rodagem para o seu entrosamento que venha a render o máximo. Tudo está bem quando acaba em bem e o FC Porto foi mais forte colectiva e individualmente do que o Lille, equipa de trabalho, física atrás e veloz na frente, num perfil italianizado que o futebol gaulês adquiriu há mais de 20 anos. E se acaba bem é porque a equipa, o jogo e a vitória convenceram - tudo ao contrário de há um ano em Viena que me fez, aliás, logo de seguida, antes de Setembro terminar, que não iríamos longe nem com a equipa, nem com o futebol nem com o treinador. Helàs, vamos rever o Preocupações Fonseca já no sábado em P. Ferreira...
Os lapsos parvos da defesa, onde faltava a chamada de atenção do treinador malfadado de há um ano, foram trocados por entradas valentes, posicionamento correcto e alívio quando tem de ser. Uma equipa forte atrás torna-se mais forte na frente.
 
Parece-me é que Oliver tem de jogar no meio nem que seja Herrera o sacrificado, até por continuar a gerir mal a bola (passe) como dantes, para ganharmos acutilância na ponta que hoje pareceu manca.
 
São ironias do futebol mas a sua verdade do campo é normalmente incontestável. O FC Porto tem mais futebol, o Lille sabia disso mas também está formatado para tal e queria o 0-0, simplesmente não sofrer golos. Não é que o FC Porto tenha criado muitas ocasiões, mas foi senhor do jogo e impôs a sua maneira e estilo, apesar de algum desnorte nos 5' finais em que geriu pior a bola e saídas mais concretas e definidas para o ataque, quiçá para ampliar a vantagem com o Lille já definitivamente apostado em atacar com os jovens e excelentes Ryan Mendes e Marcos Lopes.
 
É, vai ser um cabo dos trabalhos este FC Porto. Mas para os adversários. E isto ainda mal começou, há tanto por afinar mas já muito em produto acabado a que falta acrescentar valor e brilhar. Não tenho dúvidas disso. A entrada na Champions é uma formalidade agora, já que não antevejo o FC Porto dar hipóteses de contra-ataque ao LOSC no Dragão, apesar do equilíbrio notório que esta fase de apuramento tem revelado. E esta sucessão de jogos com graus de dificuldade e especificidades diferentes - agora impondo a cautela de gestão de um resultado em casa onde atacar não é mais a prioridade - ajudam a equipa a crescer. A sério. E com maturidade e classe que ainda não se vêem.