. Bem-vindos ao Portistas de Bancada - UEFA CHAMPIONS LEAGUE FANTASY FOOTBALL: Já está criada a liga Portistas de Bancada desta nova época, aceda a esta liga através do código 96295-19616 para participar neste famoso passatempo - OPINIÃO DA BANDCADA: 11 de Luxo: Qual a melhor serie? É esta a pergunta que está na barra lateral à espera da Opinião da Bancada

25 Novembro 2009

O mesmo filme de sempre

Por Menphis
FCPORTO 0 - 1 CHELSEA
Anelka ( 69´)

Equipa: Beto, Sapunaru( Ernesto Farias 79'), Álvaro Pereira, Rolando, Bruno Alves, Fernando, Raúl Meireles, Belluschi ( Guarin 71'), Varela ( Hulk 60´), Rodriguez e Falcao

O FCPorto averbou, frente ao Chelsea, mais uma derrota ingrata, repetindo um filme já muito visto quando a equipa portista defronta adversários mais poderosos. A equipa até teve uma boa atitude, alguma garra, consegue momentos interessantes, e tem uma razoável consistência defensiva, mas, existe sempre um mas que o impede de ir além.
E o “mas” desta partida, é que, apesar do FCPorto ter tido as melhores oportunidades de golo, o Chelsea é uma equipa com uma qualidade bem superior, composta por jogadores de grande classe e um conjunto verdadeiramente eficaz.


Quando se defrontam jogadores de classe mundial, como Terry, Ricardo Carvalho, Ballack, Deco, Drogba, Anelka ( que jogador fora de série, que junta uma enorme qualidade a uma capacidade de trabalho inesgotável) é muito mais difícil vencer, principalmente, quando a equipa do FCPorto, neste momento, ainda tem muitos défices de qualidade.

Jesuald Ferreira quis, e a meu ver muito bem, surpreender o Chelsea, com Varela na frente, relegando Hulk para o banco.

Foi um jogo muito morno, com duas equipas descansadas à sombra do apuramento, o FCPorto entrou um pouco retraído, não arriscando, mostrando imenso respeito pelo seu adversário,os ingleses aproveitavam para jogar com pouca velocidade, trocando muito a bola, mas sem nenhumas oportunidade de golo.

Aos 20 minutos, Belluschi criou a melhor oportunidade de golo para o FCPorto em toda a partida, depois de uma jogada sua, rematou forte, Cech defendeu para a frente e Falcao, sozinho, remata contra o guarda-redes.

A equipa parece que acordou, sempre que Belluschi pegava na bola o perigo surgia, e passados uns minutos, um remate à barra dava entender que o FCPorto poderia fazer algo mais e mudar o filme dos últimos encontros contra o mesmo adversário, mas até ao intervalo o empate iria prevalecer, embora injusto para aquilo que a equipa portista tinha feito .

Na segunda parte, o Chelsea veio disposto a mudar, o jogo, nunca jogado em grande velocidade, ganhou um pouco mais de equilíbrio, sempre muito jogado a meio-campo, e muito táctico.

Já com Hulk no lugar de Varela, aos 69 minutos, a equipa do Chelsea mostrou de que classe era moldada, numa jogada onde o FCPorto acumulou vários erros de marcação, e de concentração, na sua defesa, Anelka foi mais uma vez o “carrasco” empurrando a bola para a baliza com uma cabeçada sem dar hipóteses ao guarda-redes.

Os erros de marcação em alta competição e com jogadores daquela classe pagam-se caro, e o FCPorto está a pagar, defensivamente, por alguma fora de forma de alguns seus jogadores na sua defesa.

Até ao final, Jesualdo Ferreira faria entrar Guarin para o lugar de Belluschi, e já arriscando tudo, tirava Sapunaru para dar oportunidade a Ernesto Farías mas a equipa não teve capacidade para dar a volta ao resultado.

Por último duas notas, uma delas é que ficou provado que o público portista não é ingrato para quem nos deu muito, casos de, principalmente, Deco e Ricardo Carvalho que tiveram uma recepção bem carinhosa, e, por último, arbitragens como foi a desta partida prova que não é só em Portugal que existem árbitros incompetentes. Agora é tempo de pensar nas provas nacionais, porque até Março, podemos ignorar a Champions League, apesar de ainda termos que disputar uma partida.

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Amigos, amigos, 1º lugar à parte

Por Menphis
" É um jogo em que os pontos contam para garantir a classificação e não a qualificação. Essa está garantida desde a quarta jornada e isso permite-nos, sob o ponto de vista de gestão do plantel e dos recursos que temos, dirigir a equipa de outra forma e dar oportunidade a outros jogadores e conferir responsabilidade ao plantel»

"O jogo de amanhã tem a motivação que todos os jogos da Champions têm para os jogadores, mas acima de tudo tem uma perspectiva positiva de grande confiança naquilo que estamos a fazer no sentido de garantir um bom jogo e um bom espectáculo. Se a consequência desse jogo for uma vitória, melhor, mas, acima de tudo, para nós, o importante é fazer um bom jogo, jogar bem e poder competir com uma grande equipa como o Chelsea." - Jesualdo Ferreira


O Chelsea, nosso velho conhecido e bom amigo, principalmente para as nossas finanças, é o único adversário portista no Grupo da Champions League. Com o apuramento no bolso, cabe apenas a luta pelo primeiro lugar, luta essa que poderá ser resolvida no Estádio do Dragão.

Sem Heltón, na ponta final de uma lesão, Jesualdo Ferreira apostará em Beto para titular, assim como o regresso de Belluschi à titularidade.

Como outra nota de interesse, o regresso de ex-portistas a uma casa onde foram muito felizes, principalmen
te do regresso que, adivinha-se e deseja-se, será o mais saudado, do nosso "mágico" Deco.


FCPORTO-CHELSEA
( 5ª JORNADA DA CHAMPIONS LEAGUE)
19: 45 HORAS, RTP1
ÁRBITRO: JONAS ERIKSSON ( SUÉCIA)

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24 Novembro 2009

Pep gozou com Mourinho

Por Zé Luís

Barça vulgariza Inter sem Messi e Ibra. Mou levou banho de bola e argúcia táctica do espanhol



Foi invulgar a capacidade do Barcelona vulgarizar o Inter esta noite. E a um banho de bola, dispensando goleada que deixaria os italianos na obrigação de vencerem o Rubin em casa na última jornada (e mesmo assim terão de o fazer para não serem eventualmente surpreendidos se o D. Kiev bater o Barça a precisar apenas de um ponto), Pep Guardiola deu um banho táctico a José Mourinho.
Os comentadeiros tugas andam meses a fio a questionar a valia táctica e estratégica de alguns técnicos nacionais. Endeusam outros mesmo que sem títulos ou em plano inclinado nas suas carreiras e, agora mesmo, os palermas da SportTV não viram a asneira táctica que Mourinho nunca corrigiu em toda a partida do Camp Nou. A permanência inútil de Chivu em campo, de resto amarelado o suficiente para falhar por castigo a próxima ronda.
Mourinho tinha anunciado que jogaria a lateral-esquerdo Chivu se Messi jogasse. Guardiola não meteu nem Messi nem Ibrahimovic. Mourinho pôs Chivu e logo de início viu-se que nem o romeno tinha a quem marcar directamente, nem ajudava o meio-campo. Se Chivu podia fechar no meio, então era corredor livre para Dani Alves. Depois do 1-0 de canto, o 2-0 surgiu de um corredor deserto por onde o lateral brasileiro do Barça fugiu para cruzar primorosamente para Pedro Rodriguez sentenciar a partida. Sem bola, com um a mais atrás e poucos à frente, o Inter só rematou aos 42 minutos. Fosse com uma equipa portuguesa pouco querida de alguma sensibilidade mais crítica e os reparos manter-se-iam por toda a partida.
O Inter foi uma nulidade absoluta. O grau zero do futebol continua a deixar Mourinho apavorado na Europa desde que deixou o Chelsea. E o seu sonho do Barcelona continua a ser o seu pesadelo sempre que defronta os catalães. Pelos blues ou pelos nerazzurri. O Barça tirou o pé do acelerador e Julio César mesmo assim foi o único que se salvou e evitou pior derrota. Mais um golo sofrido significaria que o Inter desvia para 3º e o Rubin iria a S. Siro a precisar apenas de um empate para ficar à frente dos italianos.
O erro táctico Mourinho nunca o corrigiu. Chivu acabou amarelado, o Inter multiplicou faltas feias por incapacidade física e técnica de travar os soltos catalães. Nem Chivu defendeu à frente, nem teve adversário por perto para exercer a marcação que sabe fazer. Uma inutilidade a que Mourinho nunca pôs cobro e escapou por 95' aos toninhos que comentaram o jogo na SportTV.

Mourinho ainda não caiu das núvens de alguma adulação tuga sem sentido. E se dificilmente fará o Inter repor algum respeito na Europa, decerto não será desta vez que a aposta de ganhar a Champions vai ser uma realidade para Moratti.
Agora, resta ao Inter vencer para continuar na prova, mesmo o empate pode não dar a não ser para a Liga Europa para onde está confirmado o Liverpool. Esta também deve ser difícil de vencer...
Resta ver hoje como Jesualdo vai desfazer a teia de um italiano de gema como Ancelotti e o FC Porto desalojar o Chelsea do comando.
ACT. (1h)
O expert Tadeia, no resumo alargado da RTP-1, também não viu o banho táctico. Viu, pareceu-lhe, o habitual 4x3x3 do Barça. Mentira (com o ele entendido de futebol): o Barça jogou com Xavi a fazer a meia-direita mas deixando o flanco para Dani Alves fazer o vaivém. Busquets a trinco, na posição 6, Iniesta a orquestrador e Keita sobre a esquerda. Com a basculação do meio-campo do Barça, o flanco direito do Inter, sempre perigoso pelo fortíssimo Maicon, ficou anulado. O Barça teve 4 homens no meio-campo e igualou os médios do Inter. Pedro descaiu para a esquerda e Henry ficou no meio, a ponta-de-lança. Um 4x4x2 tombado estrategicamente para a esquerda. Em vez do tridente Messi, Henry e Ibrahimovic, não havia alguém à direita e Mourinho deixou lá estar sempre o Chivu, um peso-morto. Foi um banho táctico como há muito não via e muito menos com Mourinho. Estamos sempre a aprender. É preciso ter os olhos bem abertos. Mourinho não estava lá. Mas a sua aura ainda cega os tugas empedernidos do melhor treinador do mundo...

23 Novembro 2009

À sombra de Oliveira

Por Zé Luís


Estaria a Oliveirense à espera de uma equipa treinada em jogadas de mergulho, adequando a sua piscina? É que sem esses exercícios de apneia submarina parece que nada ganha. Mas, assim, os oliveirenses estavam a dar cartas ao opositor e não água pela barba... A gente gosta é de azucrinar os franceses pela mão de Henry como se alguns fizessem por esquecer a mão negra de Vata...
Não sei se esta imagem, subitamente difundida pelos mais diversos meios, é relativa a um dos muitos jogos que se "realizaram mesmo" no campo dito de jogo de Oliveira de Azeméis. Se jogaram, perguntem-se porqùê, que eu não sei nem me interessa: parece que ninguém protestou e, pior, os intervenientes não reclamaram. O técnico da casa até achou normal, o presidente deve ter partilhado a ideia de uma boa preparação para o jogo seguinte.

Dizem as crónicas que o Oliveirense-Gil Vicente foi disputado naquelas condições. Também não sei. Feito o jogo, nem quero saber. Admito que as crónicas tenham contado o que se passou, se havia alguma coisa para contar. Mas quiçá as crónicas nem contaram que "aquilo" não devia ter tido lugar em tais condições. E nem suscitaram debates e opiniões. Porquê? Porque não jogou nenhum grande.

Bastou o FC Porto ir lá, a sua equipa ter entrado em campo para o aquecimento (?) e adaptação (!), para aparecer alguma indignação sobre isto.

Isto é uma competição profissional para quem joga, pelo visto também com o Carregado antes do Gil Vicente, na II Liga portuguesa. Onde muitos acham que, nesta taberna mal frequentada, a Liga tem protegido e divulgado o futebol, na hora em que o tasqueiro ocasional, político paraquedista, se prepara para deixar vago o cargo com méritos que lhe reconhecem e eu não vislumbro um só que seja.

Quando o FC Porto volta a entrar em competição a sério, na Champions, onde não se transige com os regulamentos. Quando está em marcha uma campanha para receber, a meias (mais ou menos) com Espanha, para o Mundial-2018 (ou 2022), temos isto. Que tanto suscita debate, sem gente para o fazer com argumentos razoáveis, mas acaba por espelhar a indiferença generalizada, encolhendo os ombros, como os responsáveis locais, à espera que não chova para piorar as coisas e na esperança de sol de Inverno a amenizar a situação.

Ou será que a Oliveirense estava a preparar a piscina para receber outra equipa muito dada a mergulhos e sem os quais, com tanta complacência dos árbitros como a Oliveirense tem da FPF e da Liga, para não dizer da Polícia e de um caso que devia originar uma queixa-crime, essa equipa de fiteiros e experts de apneia submarina não ganha?

Parece que a Liga só "licenciou" o campo da Oliveirense, o resto não é da sua conta. A FPF até tem patrocinador para a Taça de Portugal, mas lava as mãos como Pilatos. E, contudo, os discursos oficiais são no sentido de projectar o futebol português, seja pela presença no Mundial-2010 ou no ensejo de organizar o de 2018.

As questões menores ficam com quem se preocupa e anda no terreno por coisas assim. A fachada do futebol português é grandiloquente. Há basbaques e aduladores. Mas nem todos são burros no curral ou afoitos a jogar onde não se deve.

O nível da II Liga, raramente falado, é aferido assim. O patrocinador dá a sua água Vitalis, mas recusa publicitar tanta lama para a credibilidade do jogo. Depois de uma curta ausência, alheado da pouca ou nenhuma repercussão que este assunto grave teve, é revigorante ler o editorial de José Manuel Ribeiro em O Jogo de domingo.
"A lama medicinal de Oliveira de Azeméis

O futebol nacional desagrada aos "conaisseurs", quase não vende bilhetes (dizem) e leva poucas estrelas do Guia Michelin. O que têm os órgãos executivos da Federação e da Liga a ver com isso? Podem, de facto, fazer alguma coisa para "melhorar o espectáculo"?
FPF e Liga não contratam jogadores, nem os maus, nem os bons. Também não administram clubes, não fazem substituições, não escolhem entre jogar com um ponta-de-lança ou dois e não ordenam às equipas que alinhem à frente ou atrás da linha da bola. Todos os adeptos portugueses que conhecem as duas instituições e pensaram nessa possibilidade lhes estão agradecidos por isso.
Dentro do que são as competências mais convencionais de uma federação e de uma liga, podem capturar patrocínios e ir fingindo que tentam extorquir do Governo isenções fiscais à espanhola, para se importar estrangeiros de qualidade com desconto, mas serão sempre os clubes a decidir que artistas contratam. E que artistas são contratados.
Portanto, se não compram os jogadores, não fazem as equipas e não riscam as tácticas, o que podem a Federação e a Liga fazer para assegurar, pelo menos, que o futebol não volte à lama? Um pequeno contributo, retirado da experiência deste sábado: dizer que o estádio está licenciado pela Liga, como fez a Federação a respeito do campo da Oliveirense, não chega".

21 Novembro 2009

O. Azeméis no Mundial-2018!

Por Zé Luís


O chico-espertismo é mesmo especialidade tuga: da disputa dos 15ME do totoloto à sucata nacional. Se na Luz já meteram 3000 adeptos onde tinha 1000 cadeiras, tirem as cadeiras e garantem 120 mil lugares.

Que se lixe o adiamento do Oliveirense-FC Porto. Que se lixe a Taça (o que interessa é o campeonato, vox populi). Algum dia irá cumprir-se o desígnio da Oliveirense receber o tetracampeão nacional no seu quintal (ou batatal). "Entendemos que devia ser este o rumo", afirmou o presidente do clube local, um tal de Godinho, sem querer pagar 20 mil euros de renda para jogar no Municipal de Aveiro e algum regulamento impedir a inversão do jogo e levá-lo para o Dragão.

Não é por este Godinho fazer lembrar o Godinho da "Face Oculta", que a coincidência do apelido vai além do chico-espertismo de ambos. Oliveira de Azeméis até nem fica longe de Ovar, onde aterrou a sucata da política e do pensar nacional, todo virado para negócios só com a pena de não criar riqueza colectiva, apenas para alguns...

O presidente da Oliveirense pode não fazer muito pelo futebol, mas fez sem querer um empurrão decisivo para a campanha do Mundial Ibérico que Portugal e Espanha procuram organizar em 2018 (ou 2022).

Pode um condutor levar multa pesada, eventualmente ficar sem carta e porventura até ser preso se levar passageiros a mais na sua viatura. Se der acidente e correr para o torto tem um imbróglio dos diabos, ainda que uma potencial vítima mortal em excesso ficasse irremediavelmente a perder.

Mas o Godinho da Oliveirense não. Tinha uns 1600 lugares, sentados e numerados. Não por recreação desportiva ou gozo de jogar com números. As regras mandam que assim seja. Evita-se overbooking, o que dá má fama às companhias aéreas. Mas no futebol nada dá má fama. Os lugares sentados e numerados são uma forma de conforto, dentro do possível e das condicionantes climatéricas. Mas também uma forma de segurança. Mas o Godinho da Oliveirense, com a cupidez própria do tuga mais rasca, tirou as cadeiras para duplicar a lotação.

Eureka! Deêm um estádio novo a este homem, que ontem disse andar a "pedir à Câmara" há anos em nome de uma estrutura desportiva e profissional do seu clube sob pena de regredir para os escalões amadores e distritais. Um de 20 mil lugares, numerados e sentados. Ele arrancará as cadeiras e facilmente duplicará a lotação. Oliveira de Azeméis tem todas as condições para receber jogos do Mundial em Portugal.

Porque não? Em nome de Portugal, o Benfica pode tirar as suas cadeiras e voltar aos antigos 120 mil lugares que se dizia que levava a Luz. Os 127 mil de assistência no Mundial-91 de sub-20, para gozo de Queirós, seriam uma atracção fatal para levar a FIFA a desviar a final de 2018 de Madrid para Lisboa.
Afinal, na Luz já meteram, também sob a impunidade das autoridades e nenhum castigo além de simples multa de umas centenas de euros, como quem bate num árbitro-auxiliar, uns 3000 adeptos do FC Porto onde só havia 1000 cadeiras. Nem foi preciso arrancá-las...
A Oliveirense vai ter de voltar a gastar parafusos e repor as cadeiras nos seus lugares. Terá de pagar o policiamento para um jogo que não se realizou. Mais umas coisas de organização de jogo, árbitros, água e luz pelo menos nos corredores e retretes, porteiros. Talvez os cerca de 2000 corajosos - curiosos! - que enfrentaram o mau tempo mas não tiveram de sentar o cu em cadeiras molhadas e sujas, não tenham dado para a despesa. Mas isso não importa. A Oliveirense há-de receber o primeiro grande no seu quintal.

É despiciendo lembrar como este clube, porventura, podia ter descido de divisão e de volta ao lugar de onde veio, um ano antes, no futebol nacional. Nem de propósito, foi nomeado para este jogo da Taça o árbitro Bruno Paixão que, ali mesmo, aí por Abril ou Maio, expulsou o treinador da Oliveirense do banco, num jogo da Liga de Honra. Mas não identificou bem que treinador: o principal?, o adjunto?...
Por isso, como o condutor que leva ocupantes a mais na sua viatura, Bruno Paixão levou uma apreensão registada por parte da CD da Liga de Clubes.

Quanto ao protesto do Gondomar, que reclamava derrota da Oliveirense por o seu treinador, alegadamente expulso, ter voltado ao banco no jogo seguinte, ficou em águas de bacalhau, com a equipa do "coração de ouro" conotada com o "Apito Dourado" e o clube de onde é originário o presidente da Liga alvo da parcimónia da instância disciplinar dessa tasca mal frequentada - tal como os poderes máximos da justiça deste país conferem aos mais poderosos e especificamente a quem está no poder uma protecção que é invisível para o comum dos mortais.

Se não fosse o caso dramático de um casal não conseguir distribuir-se a sorte de partilhar 15ME de um totoloto em cheio, diria que Portugal é um país de azar. O nosso. Porque nem a sorte que nos sorri dá a felicidade. Só sucata: moral, legal e de tédio. E suspiramos por um Mundial.

Até nas gamelas o objectivo é vencer

Por Menphis
Toda a gente ainda recentemente criticou as condições do relvado em que Portugal jogou na Bósnia-Herzegovina, mas essas mesmas pessoas da federação não mexeram uma palha para evitar que o jogo fosse em Oliveira de Azeméis.

O problema passa-se acima de tudo pelo estádio onde vai jogar o tetracampeão português e representante de Portugal na Liga dos Campeões. O que conversámos foi sobre questões de segurança. A questão não se resume apenas ao relvado mas a todo o estádio"

O FC Porto vai jogar com intenção exclusiva de vencer o jogo, mas certamente ninguém vai esperar que amanhã, em Oliveira de Azeméis, aconteça um bom espectáculo»Jesualdo Ferreira

O FCPorto vai encontrar um relvado que mais parece uma gamela do que um sitio próprio para jogar futebol, Jesualdo Ferreira já prometeu que iria ter muitos cuidados com a equipa, devido aos próximos compromissos, mas que iria jogar para vencer. Sendo assim, espero uma equipa onde o treinador português iriá fazer uma mistura de elementos menos utilizados, com outros jogadores mais utilizados.

Num jogo perigoso, o FCPorto tem de impor a lei do mais forte, lei essa que deverá ser imposta em qualquer lado e em qualquer relvado. E desta vez, Jesualdo Ferreira até tem um atractivo de bônus, jogar mal até pode ser perdoado em virtude das circunstâncias.


OLIVEIRENSE - FCPORTO
14:30 HORAS, SPORTV
ÁRBITRO: BRUNO PAIXÃO ( A.F. SETÚBAL)


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20 Novembro 2009

Os vencedores

Por Zé Luís

Portugal estará na África do Sul, com todo o direito gradualmente construído e consolidado na qualificação e cada vez mais uma enorme paixão, que compensa com músculo o que lhe falta em génio. Para estar representado já no sorteio de 4 de Dezembro, na cidade do Cabo, para a fase final de 32 equipas divididas em grupos (8) de quatro, foi preciso virar as costas aos velhos do Restelo, sempre alojados em Lisboa, arrostar com as dificuldades da transição geracional da selecção negligenciada antes, enfrentar o desconhecido como o temido ambiente e batatal da Bósnia até dobrar o cabo das tormentas, transformado em Boa Esperança, cerca de 515 anos depois de Bartolomeu Dias fazer caretas ao Adamastor. Olá África nossa, depois do Adeus África de uma capa de jornal em Março, Mas não vai haver uma caçada a animais da savana, apenas uns jogos de futebol com os jogadores de hoje e não dos que alguns teimam em pensar que ainda jogam, os habituais saudosistas empedernidos que misturam wishful thinking com imbecilidades tácticas, preferências clubísticas e mentiras avulso. Os vencedores são, obviamente, três:

Carlos Queirós. Já qualificara a África do Sul para França-98 ao contrário da desinformação posta a correr de que falhara em fases de apuramento. Foi mesmo o general sem medo que enfrentou de peito aberto e preferiu o 4x3x3 decalcado da 1ª mão ao 4x4x2 cauteloso que todos advogavam, a quem a tropa seguiu confiante e destemida para uma batalha onde imperou o carácter e triunfou a perícia fazendo flores no lameiro. Ganha bases para fazer o trabalho de casa tão descurado ultimamente com a revitalização de todas as selecções jovens que apontem com alegria para o futuro. O pastor que criou a Geração de Ouro (com ela falhada, todos ainda muito jovens, a passagem do Rubicão para o Euro-92 e Mundial-94) e nada viria a ganhar, viu outros mamarem da teta mais rica e terá de encontrar pasto para novo rebanho que dê felicidade ao povo e refaça a identidade do jogador português que nada tem a ver com as preferências dos comentadeiros de ocasião sobre os jogadores dos seus clubes ou os que por lá passaram (Miguel, M. Veloso, Moutinho, Nuno Gomes).

A selecção. Os jogadores. Poucos acreditaram e, em mais uma mentira da campanha de intoxicação sobrevivente do passado de obscurantismo tropical e virulento, não tiveram nem mais nem menos sorte do que na qualificação para 2008 onde também só a três jogos do fim deixaram de depender de terceiros, beneficiando então de um empate da Finlândia na Bélgica (a Finlândia competiu com Portugal até ao último minuto no Dragão), tal como em Outubro aproveitando a derrota da Suécia na Dinamarca. A fase de apuramento mais difícil desde a caminhada para o Mundial na Ásia foi superada com cinco golos sofridos, três deles numa derrota cruel e injusta em casa, com desconfianças várias em sectores-chave que a ninguém antes preocupou e agora todos discutem da validade das opções, de Eduardo na baliza, a Duda a lateral-esquerdo e ao recurso forçado a Liedson como ponta-de-lança - porque além de faltarem soluções sobraram lesões (Hugo Almeida em Setembro), sem vislumbrar-se melhor para tais posições.

Gilberto Madaíl. Sai em grande, se deixar a FPF como aponta, e este pode ser um pomo de discórdia, mas o presidente federativo, além de ter uma década de ouro de presenças constantes nas fases finais, teve a coragem de decidir por si próprio apostando em Carlos Queirós. Madaíl, após o tremendo fracasso de 2002, salvou a pele ao “desencantar” em 2003 Scolari campeão mundial pelo Brasil, conseguindo resultados para apagar a má memória da Coreia em que ainda chafurda, vingativo e maldoso, o inefável António Boronha. Mesmo que saia, para agrado de muitos que esquecerão o crescimento inegável da dimensão da FPF no contexto internacional através da selecção principal apesar do apagão das selecções jovens, Madaíl terá salvo a pele do futebol português que se condenava a definhar sem rumo, ideias e homens para encetar a rude tarefa de reconstruir o que foi a base do sucesso recente.

Crónica semanal do blog Portistas de Bancada para o Futebol "O desporto rei"

O Portistas de bancada contribui com uma crónica semanal no Futebol: Desporto-rei, a convite deste. A parceria destes blogs tem montra à 5ª feira. Quem quiser ler, clique no título acima.

19 Novembro 2009

Cupidez oliveirense leva a taça merecida

Por Zé Luís

19/11/2009

Comunicado da administração da FC Porto, SAD

Tendo em conta as condições do recinto que acolherá o jogo da Taça de Portugal entre a UD Oliveirense e o FC Porto e a evidente falta de requisitos mínimos para receber um evento desta envergadura, vem a Administração da FC Porto – Futebol, SAD comunicar o seguinte:

1 – A deficiente qualidade do relvado do Estádio Carlos Osório coloca em causa a integridade física dos jogadores;

2 – O mesmo recinto não apresenta as condições de segurança adequadas ao desafio em questão;

3 – O palco do jogo tem uma lotação anormal após a retirada das cadeiras: dos 1670 lugares sentados aprovados no âmbito das competições da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, passou-se, de acordo com o que foi comunicado pela UD Oliveirense, para uma lotação de 3400 espectadores;

4 – Esta nova configuração pode provocar situações imprevisíveis, das quais o FC Porto será sempre alheio. A responsabilidade sobre qualquer anomalia, de resto, deve ser imputada ao dono do estádio e à entidade que consentiu que o jogo ali se realize;

5 – Face ao exposto, a Administração da FC Porto – Futebol, SAD decidiu não pactuar com esta situação e vai devolver à AF Porto os bilhetes que lhe foram destinados, até para não enganar os portistas interessados em assistir ao encontro.

Porto, 19 de Novembro de 2009
O Conselho de Administração


Está publicado e é de aplaudir.

O clube do presidente da Liga que é também novo edil local tentou o golpe de cupidez. Merece uma taça de cuspo.

18 Novembro 2009

Voltei a lembrar-me de... Maradona

Por Zé Luís
Também não precisa de tradução.
Maradona se descontroló tras el triunfo e insultó a los que lo criticaron"A los que no creyeron, con perdón de las damas, que la chupen", afirmó inmediatamente después del partido, desencajado. Y repitió palabras similares en la conferencia de prensa. Además, agregó: "Ustedes me trataron como me trataron: sigan mamando".
Carlos Queirós esteve perto de perder as estribeira com um maltês. Espero que quando festejar justamente também o seu apuramento não lhe saia da boca o que possa, eventualmente, sentir.

Escrevi isto no rescaldo da vitória sobre Malta, há um mês e picos. Queirós dedicou o apuramento a quem, sem sabujice saloia e bandeiras à janela, confiou nele e nos jogadores. Vai precisar de puxar ainda mais gente para o seu lado, sem precisar de bater em adversários, ferir susceptibilidades de adeptos, insultar gentes de uma região, ostracizar jogadores.

Não terá Figo nem Pauleta, Deco está em declínio, há mais luso-brasileiros e sobram propostas dos adeptos com microfone para meter este e aquele. Um efeito desta vez já não sob influência portista que alegadamente se imiscuía na selecção. Esta selecção é de Todos Nós e pode não ganhar mais nada mas, com os seus meios limitados sem lhe limitarem a ambição e a crença num trabalho melhor, tendo mais músculo e menos génio, levou-me a sentir uma paixão que se me perdeu por mais de um lustro, eu que a senti mais dos outros do que minha, que a vi sempre distante e fria e frívola em altares que não conheço e aduladores quais fariseus do templo.

Para actualizar as contas abaixo, Portugal apura-se para o Mundial-2010 em 12 jogos no total e com 7 vitórias, 4 empates e 1 derrota, contra 14 jogos para o Euro-2008 e 7 vitórias, 6 empates e 1 derrota. Ainda bem que não demos 8-0 à Bósnia, pois ir-se-ia pensar que foi fácil, tão fácil como a Rússia, 3º do Euro-2008, eliminar a frágil Eslovénia, a poderosa Ucrânia que todos temiam afastar a Grécia medíocre como a baptizámos vai para seis anos e a esta hora com a França longe de cantar de galo, no prolongamento, face à Irlanda que parecia canja.

Em 2004, Scolari entrou no Europeu, para o seu 18º jogo, em casa, a perder (pela quarta vez sob o seu comando) 1-2 com a Grécia, obrigado a mudar o que teimosamente servia a cegueira de muitos, "esnobando" (diriam os brasileiros) e até provocando (ausências de Vítor Baía e Pedro Mendes) a equipa portuguesa que se sagrara campeã europeia.

Queirós terá ainda testes para o Mundial, sem Figos nem Ruis Costas, sem Pauletas nem Costinhas, mas em 18 jogos já venceu 11 e - a ver pelas primeiras reacções engasgadas de João Manha na TVI24, descobrindo-lhe até méritos de "formar um grupo" e "motivar os jogadores" - continua com os Dudas sem melhor para a esquerda, os Pepes que ninguém gosta de ver a trinco, os Eduardos que perdem às vezes a tranquilidade nas saídas da baliza.

É com estes, afinal um grupo mais rodado e que soube suplantar uma série de lesões em toda a qualificação, que Portugal vai à África do Sul, com o portista Raul Meireles a seguir o exemplo de Bruno Alves nestas decisões com os bósnios encarados de peito aberto quando todos pedíamos um 4x4x2 cauteloso mas o general sem medo obrigou a sua tropa a ter coragem - até sair em ombros.

Mas como me lembrei de Maradona...

Antes do jogo tinha deixado isto, que não perde por ficar sempre exposto:

OS NÚMEROS ANTES DO MUNDIAL


Scolari vs. Queirós: as diferenças que muitos preferem desconhecer e a vantagem do português sem os meios (a teta esgotou e nem CR7 serviu) que teve o brasileiro

Subitamente, antes de chegar ao Mundial, Portugal tem esta noite a final do Mundial que Carlos Queirós sonha para a selecção nacional agendada, em Joanesburgo a 11 de Julho de 2010. É o tudo ou nada, uma final autêntica onde se joga prestígio e dinheiro mas não o futuro do futebol português comprometido nos últimos anos de aparentes sucessos desportivos (menos) e financeiros (substanciais).

É engraçado que o dramatismo envolvendo o jogo em Zenica surja poucos dias após o sorteio do play-off e da própria 1ª mão na Luz. Porque a Bósnia era tida como equipa das mais fracas, apesar dos "avisos" que se tomaram por megalomanias. Porque Dzeko e Ibisevic formam mesmo uma dupla atacante temível, de que muitos zombaram com o anúncio dos 25 ou 27 golos na sua qualificação. Porque Blazevic, de argúcia táctica conhecida e comprovada em Lisboa, sabe montar a sua equipa e tem um discurso motivador e agressivo. Para os artistas do "é canja, ganhamos nas calmas", esta foi a primeira lição. Há distintos e colunáveis adeptos que nem o conheciam sequer aquele que se autointitulou o "melhor treinador do mundo" quando levou a grande selecção da Croácia ao 3º lugar no Mundial-98.

A segunda lição é que, para Portugal, apontado como "favotiro" à partida, para uns a 80 ou 90%, parece que 1-0 reduz as suas hipóteses de apuramento e a Bósnia, para quem dela ironizou como se fosse "grande equipa" (que não é, nem 8 nem 80), é tida como capaz de virar a eliminatória e, quiçá, partir com "fifty-fifty" de possibilidades de ir ao Mundial. Uma final que, para a Bósnia, pode ser perdida mesmo ganhando 2-1 (ou 3-2, 4-3, etc.), o resultado que lhe bastava em 2003 para ter-se apurado para o Euro-2004 em Portugal: ao invés, empatou com a Dinamarca em casa (1-1) e nem ao 2º lugar e play-off foi (seguiu a Espanha), com os dinamarqueses vencedores do seu grupo.

Para os detractores, inesperada e inexplicavelmente, saídos da trincheira quais "partizans" na luta de resistência aos ventos de mudança nas selecções nacionais, Portugal tem defesa fraca, porventura a soçobrar em Zenica, como vão apontando os bósnios nos "mind games". Contudo, dos 11 golos sofridos por Portugal nos 17 encontros sob o comando de Carlos Queirós, a defesa das quinas sofreu seis do Brasil, num jogo que não devia ter sido disputado mas houve que honrar compromissos (e 300 mil euros) antes assumidos, e apenas cinco na fase de apuramento, o que é um bom registo contra ataques objectivos como os da Suécia e da Dinamarca (também sofreram cinco golos cada), sem que os suecos tenham marcado (e sofrido) qualquer golo nos jogos com Portugal.

Eis, então, uma estranha final, num campo maltratado e acanhado, supostamente com um ambiente infernal de menos de 15 mil adeptos, por muito fanáticos que sejam. Portugal quase como "coitadinho" ante a sobranceria bósnia e sujeito a "guerra interna" e desconfiança de muitos dos seus adeptos. Para atiçar o bota-abaixismo lusitano, especulou-se (DN) que Queirós teria preferido jogar no Porto em vez de na Luz.

Edificante. Aqueles que encolhiam os ombros às diatribes de Scolari face ao tão distante Porto, quiseram armar uma confusão ao contrário, imputando a Queirós uma alegada rejeição de jogar na Luz.

Confio que Portugal vença o jogo e até sem sofrer golos. Confio plenamente que se qualificará e não vejo sequer uma eliminação como o fim do mundo, como não foi para a Inglaterra falhar o 2008 na Suíça/Áustria e a Holanda ver pela tv o Mundial-2002 ultrapassada por Irlanda e... Portugal.

Era, contudo, muito bom que Portugal se qualificasse por todos os motivos e mais alguns. Porque disputou um dos mais difíceis grupos de apuramento dos últimos anos, pelo menos desde 2000 (quando a Holanda ficou para trás). E porque, ao contrário do que algumas luminárias fazem por omitir nas suas injustas críticas (à parte as subjectividades de se concordar ou discordar das convocatórias e das substituições, sempre passíveis de discussão), Carlos Queirós herdou uma situação difícil, uma equipa em queda competitiva e em transição geracional que já antes - no anúncio avisado de não ir renovar contrato, com Scolari durante o Mundial-2006 - fizera o anterior seleccionador pensar duas vezes. Se bem recordam, os amigos cronistas lá lançaram o alarme em plena competição na Alemanha, Scolari lá continuou e sofreu a perda de valores inigualáveis e a teta que chupou até... ao tutano. Bem tinha razão para temer e foi penoso assistir aos dois últimos anos do brasileiro.

Além de não ter tido os meninos da Geração de Ouro que formou e lançou no futebol internacional, de Figo e Rui Costa a F. Couto e S. Conceição, Queirós nem teve sequer Cristiano Ronaldo em condições e ao menos com um golo na qualificação. Mesmo assim, pareceu crime de lesa-Pátria utilizá-lo frente à Hungria, num lamentável empolamento de uma situação em que a selecção tinha toda a razão, técnica, moral e regulamentar, do seu lado, sem ter esquecido, nem outra coisa seria de esperar, o lado humano e clínico do jogador que também quiseram fazer passar como "irresponsabilidade" da FPF e de Queirós pessoalmente.

Se passar ao Mundial, mesmo perdendo 2-1 por exemplo, Queirós fará sempre melhor do que Scolari em condições mais difíceis. Porque, como disse logo à partida, não teria 17 jogos de apuramento como Portugal beneficiou até entrar no Euro-2004. E, nestes 17 jogos comparados com os 17 iniciais de Scolari de 2003 a 2004, não é que Queirós tem melhores resultados?

Início de LF Scolari até à entrada no Euro-2004

Itália, 1 – Portugal 0
Portugal, 2 – Brasil, 1
Portugal, 1 – Macedónia, 0
Holanda, 1 – Portugal, 1
Portugal, 0 – Paraguai, 0
Portugal, 4 – Bolívia, 0
Portugal, 1 – Cazaquistão, 0
Portugal, 0 – Espanha, 3
Noruega, 0 – Portugal, 1
Portugal, 5 – Albânia, 3
Portugal, 1 – Grécia, 1
Portugal, 8 – Kuwait, 0
Portugal, 1 – Inglaterra, 1
Portugal, 1 – Itália, 2
Portugal, 2 – Suécia, 2
Portugal, 3 – Luxemburgo, 0
Portugal, 4 – Lituânia, 1

9v, 5e, 3d – 35-16g


Início de Carlos Queirós até ao último jogo de apuramento para o Mundial-2010

Portugal, 5 – Ilhas Faroe, 0
Malta, 0 – Portugal, 4
Portugal, 2 – Dinamarca, 3
Suécia, 0 – Portugal, 0
Portugal, 0 – Albânia, 0
Brasil, 6 – Portugal, 2
Portugal, 1 – Finlândia, 0
Portugal, 0 – Suécia, 0
Portugal, 2 – África do Sul, 0
Albânia, 1 – Portugal, 2
Estónia, 0 – Portugal, 0
Liechtenstein, 0 - Portugal, 3
Dinamarca, 1 – Portugal, 1
Hungria, 0 – Portugal, 1
Portugal, 3 – Hungria, 0
Portugal, 4 – Malta, 0
Portugal, 1 -- Bósnia, 0

10v, 5e, 2d – 31-11g


Curiosamente, neste período de observação, Scolari teve jogadores como F. Couto, J. Andrade, S. Conceição, Rui Costa, Rui Jorge, Figo, Pauleta, Maniche, Costinha, Petit, entre outros então no auge como Caneira, F. Meira, Postiga, Nuno Valente, Miguel, Nuno Gomes, Quaresma, Frechaut.

Nos seus primeiros 17 jogos, Scolari utilizou 36 jogadores, 15 foram estreantes como Pedro Mendes (única aparição na estreia do seleccionador em Itália, desaparecendo nos restantes 70 e tal jogos com Scolari) e Ricardo Carvalho ou Deco, além de tipos como Luís Loureiro (lembram-se, do Gil Vicente?), Rogério Matias, Silas e... a chamada provocatória de Bruno Vale 3º g.r. nas Antas onde pontificava Vítor Baía.

Queirós, até hoje, usou 40 jogadores e apenas 13 estreantes, sendo que os últimos Liedson e Coentrão foram os únicos testados pela primeira vez em jogos oficiais de qualificação. E para quem temia, sem razão nem factos, que Queirós mexia muito nas convocatórias, quiçá como se Figo, Rui Costa e F. Couto ainda estivessem no activo mas esquecidos ou ostracizados como Vítor Baía, a verdade é que dos 36 utilizados só na época passada, apenas Danny (depois lesionado), Eduardo, Rolando, Gonçalo Brandão e Edinho foram utilizados mais de uma vez, aquela que honrou César Peixoto (no Brasil), Orlando Sá (com a Finlândia este ano, depois lesionado até hoje), Beto, Zé Castro e Eliseu (todos na Estónia, em Junho).

Para quem ainda tem ideia do antigo alfobre de muitos e de vários grandes jogadores, o quadro de recrutamento é mais fraco, com um nível geral de qualidade e capacidade competitiva abaixo do que era comum esta década. Ao ponto de, por lesão de Hugo Almeida, ter que recorrer a Liedson (com 31 anos), além de continuarmos à procura de um lateral-esquerdo de encher as medidas sem alguma vez o termos tido. Duda, por exemplo, foi usado uma vez por Scolari, no Kuwait, mas parece que, além de Nuno Valente em fase terminal como Rui Jorge, a chamada de Rogério Matias e a utilização forçada de Paulo Ferreira à esquerda não é uma lacuna preocupante há anos.

Tudo isto tem sido esquecido de forma dolosa por quem critica convocatórias que dantes eram sacralizadas em nome do "núcleo duro", em que à partida existiam proscritos e cujas composições eram ou tão previsíveis ou comunicadas pelo cronista mais amigo em tom oficioso. Além de faltarem os grandes craques que ainda povoam as nossas memórias, mais as posições periclitantes no onze, da baliza ao ponta-de-lança, e um Deco em plano inclinado de sustentabilidade de rendimento. A discussão de poder chamar este e aquele, curiosamente, para azucrinar Queirós, hoje vem daqueles, normalmente benfiquistas (na sua maioria) e/ou sportinguistas (apelos a Miguel Veloso a defesa-esquerdo...), que achavam bem o anterior seleccionador deixar de fora o melhor guarda-redes de sempre, Vítor Baía e por causa disso (mas não só, foi por muito mais) os adeptos portistas detestavam o seleccionador brasileiro.

Os que criticam a qualidade de jogo devem estar esquecidos do horror da anterior qualificação, para não falar da queda acentuada nas classificações finais de 2º em 2004, 4º em 2006 e 8º em 2008.

Faltava apurar o argumento da sorte, raramente ou mesmo nunca evocada na Senhora do Caravaggio, de alguém ter escorregado para Portugal chegar a este play-off. Foi a "ajuda" da Dinamarca, ganhando à Suécia, com três rondas por disputar num grupo com 10 jogos.

Esquecem que, para 2008, num grupo com 14 jogos (mais facilidade de recuperação e faculdade de outros escorregarem, como sucedeu), Portugal apenas chegou ao 2º lugar que dava apuramento a... três jogos do fim, ganhando ao Azerbaijão a 13 de Outubro (milagre!) de 2007, mas beneficiando de a Finlândia ter empatado na Bélgica. E, para melhor se entender a sorte, depois foi preciso o inglês Mike Riley negar um penálti sacrossanto à Arménia na derrota à justa em Leiria (1-0, por Hugo Almeida), além de termos terminado com os finlandeses no Dragão e o coração nas mãos até ao último minuto nas famosas vitórias de "meio a zero" hoje felizmente banidas do discurso oficial.

Todos estes factos têm sido negligentemente omitidos até na Imprensa da especialidade, o que diz bem da honestidade intelectual e a capacidade de análise e apreciação dos mesmos factos. Sem lerem e habituados a ouvir na tv os banais comentadores de opinião avulsa e não fundamentada, a maioria dos adeptos, antes rendidos a um vendedor de banha de cobra, criou uma onda de pouco afecto e muito distanciamento para com a selecção.

Resta saber se, como diz o habitual correio das mentiras, em caso de derrota Queirós se demitirá. E, então, quem no quadro actual será capaz de fazer melhor. Isto já para nem falar do alçapão em que deixaram cair as selecções de nível etário, onde o autointitulado "o chefe sou eu" não assumiu as responsabilidades inerentes ao cargo e à... cagança.

Se Portugal passar, nem a Cristiano Ronaldo o deve; se falhar, os adeptos do Real Madrid, nos dois lados da fronteira, escusam de ter medo da sua desvalorização para quem tem um contrato de 6 anos e inviabilidade de ir para o mercado de novo.

Boa sorte, Portugal!

17 Novembro 2009

Os imbecis

Por Zé Luís


Se AJ Jardim apontou a ética decadente da "Sicília hispânica", Pinto da Costa atacou os "imbecis" que alimentam "ódio" contra o FC Porto. Apesar dos "Miseráveis" no pântano português, nenhum Jean Valjean emerge para salvar um inocente, nem uma Leonor corajosa a aceitar a responsabilidade contra si denunciada. "Tu, Luís", esse, jaz na sucata do regime há quatro anos.

Procurei em vão na Wikipedia algum livro com título de Imbecis, não duvidando que deles muitos livros falem. Com ínfima fracção de conhecimento de Literatura e menos Saber, eu como muitos outros retemos os "sound-bytes" de que se faz o Portugal a modernizar-se na perfídia e maledicência. Disso se ocupava Gil Vicente com um sentido moral que parece escapar nos nossos dias: decência, compostura e honra desertaram das relações humanas, afundadas no pântano de interesses políticos que, em nome das nações, só elevam o sentido do "eu" e os benefícios próprios e não colectivos.

Vem isto a meu propósito de, com o epíteto de "imbecis" lançado por Pinto da Costa indistintamente a coisas comentadas e alvitradas (só palpites "com ódio") nos meandros do futebol, ter ecoado ontem também a ironia de Alberto João Jardim, tão atacado pela idiosincrasia lisbonense sublimada no "nós, a capital", falar da "Sicília hispânica". O antro de podridão moral e intelectual, que muitos apontam ao poder difuso, profundo e obscuro da Maçonaria identificada com personalidades da área política do Partido Socialista ao Partido da Sucata, só não tem odor nauseabundo nos que vivem do "sistema" em vigor sob a capa de regime democrático aviltado nas suas funções vitais.

Se PdC e AJJ têm amizade e sentido crítico comuns, que partilham sem outros interesses específicos a uni-los mas com um sentimento solidário de repúdio pelo centralismo lisbonense, foi coincidência juntarem-se para apontar ao coração do sistema em voga, no futebol e na política. E da saga dos "imbecis" e de falta de ética à descredibilização total das instituições supostamente pilares da Democracia a que muitos indigentes voltam costas, privilegia-se o barulho à volta da bola com o instinto de guerra e oposição quais adeptos bósnios na recepção à comitiva portuguesa em Sarajevo.

Apesar do alarme televisivo da noite, mesmo com o desdém nos sorrisos de Simão e Pepe à chegada sob "insultos", é coisa corriqueira naquelas bandas de exércitos desregulados como milícias unidas apenas pelo conceito de amor à Pátria, das muitas nações que se digladiaram e estilhaçaram nos Balcãs por causa do centralismo de Belgrado e do sistema opressivo imposto de Zagreb a Podgorica, de Ljubljana a Sarajevo, de Skopje até ao Kosovo. Não faltou quem, num vómito de indignação saloia face às notícias, pedisse em retaliação (guerra é guerra) "então retirem-se de lá as forças de segurança de manutenção de paz enviadas de Lisboa". Enfim...

Voltados mais para o Desporto do que para a asfixia do aparelho judiciário para manter o sabujo poder político inescrutável e intocável qual Berlusconi em que se transformou o "amigo Joaquim" com o império mediático - apenas um meio para atingir os seus fins - que atraiu opositores fidagais de outrora, os adeptos fazem jus às ideias de Ortega y Gasset sobre as massas que tudo julgam entender e ousam comentar.

Tivemos as alusões ao Villas-Boas, técnico há um mês apenas, garantido em breve no FC Porto e, da perplexidade anterior, discute-se o currículo de Carvalhal num clube onde se promoveu alguém que de treinador de juniores dirigiu o Sporting por quatro anos e meio para ganhar dois pares de pedaços de metal, o "silverware" dos ingleses.

Ridiculariza-se Carlos Queirós ou por não fazer bem convocatórias e pior ainda as substituições, como se o antecessor, mais de estilo bósnio que português, tivesse passado cinco anos de intocável sabedoria. Os das "massas" atrevem-se a dizer que substituições eram mais adequadas; o João Manha, da elite "Snob" lisbonense onde assentam alcoviteiras de literatura de cordel e cineastas de meia-tigela, não lhe bastou aconselhar um lote de "sábios" e experts (como noutros tempos) para ajudar o seleccionador a seleccionar e orientar; arriscou tanto que vai levar um processo-crime por ultrajar o seleccionador, tido como "irresponsável", na utilização de CR9 frente à Hungria (ver Record de há uma semana).

Não há dúvidas de que, entre a podridão ética socialista em voga, com os seus sobas redondos e pesados tanto pelas gorduras acumuladas como pelos vícios de controleirismo político que manietam sem se mexerem além das idas aos estúdios fáceis das tv's açaimadas, o processo de mentalidade decadente é inexorável. Salve-se quem puder, portanto. Não há diferenças entre Sócrates e Filipe Vieira, unidos no clubismo e circunstancialmente no "partido" de interesses aleatórios, quando escrutinados pela Justiça: escutas telefónicas a um e a outro com o destino da... sucata. Livres das malhas da justiça, que não do manto da suspeição, ainda assim quem fica mal na fotografia do regime, como sempre, são os serviçais, os morgados, os capatazes, os marcelinos, os freteiros: é o sonso beirão, que não ingénuo, da PGR, Monteiro, e o ingénuo, iludido na pose de Estado, PR Cavaco; tal como o taberneiro da tasca da Liga Hermínio e o delegado vermelho Costa do terror disciplinar avulso mas selectivo.

Pelo que, nesta mixórdia até com "tremendistas" como Miguel Sousa Tavares, é possível ouvir dislates como Boronha achar "vergonhosas" as exibições da selecção e Medeiros Ferreira falar de "caos táctico" o facto de Bruno Alves aparecer a finalizar com golo uma jogada de ataque organizado de Portugal. Li no blog de autor e ouvi ontem na A1 quem se diz estar entre os "Grandes Adeptos", onde o portista Miguel Guedes achou "muito agradável" o jogo de Portugal perante sonora reprovação de Ferreira e do sobrinho de Mário Soares, Alfredo Barroso. Parece que Medeiros Ferreira leu algo de JVP em O Jogo, o que não deixa de me fazer sorrir...

Como gostos não se discutem, admito que um jogo ou uma equipa não agradem da mesma forma a duas pessoas e, embora difícil de conceber, possa haver opiniões diametralmente opostas. Percebo que o ex-dirigente federativo que acumulou responsabilidades nas selecções mas envelhece a arrasar a reputação dos treinadores com quem conviveu, Humberto e Oliveira, pense que o seu Portugal unido vai do Algarve e não sobe além do Tejo. No seu blog, indiferente ao chorrilho de insultos e estendal de roupa suja a que agora pôs cobro com moderação de comentários, contrariado por algumas vozes incluindo a minha, António Boronha tem derretido qualquer acção de Carlos Queirós dentro e fora do campo: ao ponto de acusá-lo de não ter cancelado o compromisso no Brasil que trouxe uma das duas derrotas de Portugal, além da incrível autoflagelação com a Dinamarca, desde os nefastos tempos do sargentão de espírito cacique tão ao gosto dos saudosos da era salazarista. Um amigável acertado por Scolari, com tudo para dar em desastre desportivo mesmo ao prémio de 300 mil euros de caché, a última tenebrosa herança do anterior seleccionador.

Pelo que, no contexto geral, além das fracturas sociais por causa da "economia, estúpido", não se vê pingos de decência intelectual e moral como Jean Valjean, o criminoso insubmisso mas regenerado (com nova identidade de Madeleine) ao ponto de, na história de Victor Hugo, ter impedido um inocente de ser condenado à morte num tribunal francês daqueles tempos conturbados, propícios a desvios e vitupérios, da queda do império pós-Waterloo. Mesmo com testemunhos miseráveis de ex-condenados e farrapos humanos que garantiam ser Valjean um títere, sujo, imbecil e indefeso, em julgamento e tão miserável como os denunciantes, o verdadeiro Valjean, entre a assistência em tribunal, revelou a sua antiga identidade.

Algo que, após tanta peripécia judicial já a roçar o cómico e indigente, nenhuma Leonor formosa, corajosa e segura aceitou a responsabilidade por adulterar "Eu, Carolina", para sacrificar uma pessoa, com repetidas afirmações da tramóia montada, em sede de inquéritos judiciais. Uma proeza que talvez João Manha tenha querido emular, com mais valentia individual no confronto com Carlos Queirós.

A Justiça além de cega, surda e muda, vive de mãos atadas. O dossié "Tu, Luís" faz quatro anos que levou uma varada institucional e jaz na sucata do regime.