20 Outubro 2014

Champions em aberto

Amanhã há Porto-Athletic Bilbau, na TVI, em sinal aberto (19.45h), porque a TVI dá só os jogos em casa das equipas portuguesas na Champions, já confirmei. Árbitro: Damir Skomina (Eslovénia), o que me agrada também. Deixa para 4ª feira, com o Benfica na SportTV, o que me liberta para ver o Liverpool-Real Madrid. Também está bem.

Entretanto, curiosamente, em Espanha o Athletic Bilbau está na zona de descida e tem praticamente a mesma equipa, e treinador, da época passada. E na Alemanha, o Borússia Dortmund está 3 pontos acima do último lugar.

Não é fácil acompanhar os altos e baixos do futebol actual.

19 Outubro 2014

Rescaldo friamente depois do calor das acusações gratuitas e resultadistas

Não tenho de acrescentar muito ao que julguei necessário resumir do jogo, ontem. Caso contrário, a muitos dos críticos atuais, gostaria de saber, e recuperar, o que achavam da equipa, dos processos, das transições e da posse serena mas determinada, do tempo do Vítor Pereira. Eu sei o que se foi passando e tenho noção do que sucedeu e o próprio treinador bicampeão, segundo o insuspeito PInto da Costa mas a quem eu não dou crédito em demasia, quis sair por não aguentar as críticas dos adeptos (seriam?) e/ou comentadores.
Isto tudo se enquadra na pasmaceira do que é o FC Porto desde 2011, uma pasmaceira que só o temperamento e conhecimento de VP superou. Mas não quero voltar a falar disso, depois de tudo o que escrevi, mais e melhor do que ninguém, no passado recente. Entretanto...
Só agora comecei a ler alguns posts e comentários na bluegosfera. Mais do mesmo como o que disse acima e nas respostas aos comentários de ontem. Há críticas justas, mas a maioria funciona face ao resultado. Falar de desoreganização e buracos defensivos, citando até excertos de crónicas de jornal ou sites de bola, é ver pelo olho do cu, aquele que só tem uma visão e dá pelo nome do resultado que se cagou no momento. Foi o que sucedeu: saiu um resultado cagado do jogo de ontem.
Os buracos defensivos do FC Porto foram seguramente menos do que as ocasiões em que Adrián Lopez, Jackson (fez golo), Jackson (penálti falhado, mal marcado e claramente impróprio para ele que não os sabe marcar e mostra não ter convicção), Marcano (cabeceamento frontal para o 2-2, defesa de Patrício porque a bola foi para ali directa a ele).
Se me disserem que buracos defensivos portistas o Sporting criou por seu mérito eu rendo-me. Até lá fico só a digerir as desfeitas que um jogo de futebol pode deixar a remoer. Há problemas no meio-campo, sim senhor; Lopetegui não escolhe os melhores para as melhores posições, já é tão evidente que cansa; Maicon e Danilo, mais Casimiro, têm falhas inacreditáveis, torna-se já insuportável; nada tem a ver nem com a rotação nem com os que vão entrando: não foi pelo g.r., não foi pelo lateral-esquerdo, não foi pelo Marcano, infeliz no autogolo e infeliz por não ter feito o 2-2 que o FC Porto justificava plenamente.
O problema de fundo é mais da necessidade de estabilizar um sistema de jogo, algo ao acaso neste momento, do que os jogadores necessários para cada jogo: porque do primeiro pode nascer a complicação do segundo ponto, colocar os jogadores onde se deve e onde são melhores. Mas disso já falei há muito, por mim quero Oliver no meio e um 6 em condições fiáveis.
É flagrante que o FC Porto perdeu por culpa própria e não é preciso esmiuçar. Perdeu por si, não por o Sporting ser melhor. Talvez a estabilidade do Sporting - mesmo plantel, melhorado com Nani - ajude a perceber alguma coisa de positivo nesse lado e o facto de Marco Silva saber como se joga e o que se joga em Portugal. Mas ou temos um treinador estrangeiro - decisão de Pinto da Costa já explicada, mudar o paradigma - ou temos de aceitar um VP bicampeão contestado e um inesperado PF fracassado.
É claro que quando tudo corre mal, dificilmente pode andar para melhor. Não deu para emendar como em Lviv com o Shakhtar. E um jogo mal perdido, repito, não pode fazer perder uma época.
Tudo o resto é de quem anda ao sabor da corrente e emprenha pelos ouvidos mal enxergando o que os pobres olhos, às vezes traseiros, vislumbram.

18 Outubro 2014

Não há mal que nunca acabe

Em jogo e ocasiões criadas, e das boas, o FC Porto podia ter eliminado tranquilamente o Sporting mas acabou sucumbido a um rol de azares vários em que não deixam de caber os problemas recorrentes da constituição do meio-campo e as asneiras defensivas. Foi mais por demérito seu do que por mérito alheio que o deslize na Taça de Portugal começou à 1ª, o que não traz mal ao mundo nem acaba a época, apenas um troféu menos importante fica entregue à bicharada.
 
Mas o futebol premeia os eficazes e castiga os idiotas, por muito esforço e talento deixados em campo. Com um arzinho de sorte mas sem favor o FC Porto podia e devia ter eliminado o Sporting, mas fez um autogolo numa jogada que não teria consequência e uma das muitas de pontapé para a frente do Sporting; ofereceu um segundo golo; falhou um penálti e ainda contribuiu activamente para um terceiro tento. O penálti falhado deitou abaixo uma equipa que já tinha tido adversidades por culpa própria em erros reincidentes. E mesmo com o 2-2 sempre à espreita, o 1-3 final é castigo cruel para alertar de uma vez a equipa portista na forma de arrebitar caminho rapidamente.
 
De cada vez que se mexem duas peças simultâneas no meio-campo é sinal de que os eleitos para o onze não eram os melhores. Tem sido assim e desta vez não houve como recuperar. Depois, as asneiras de principiante deixam os cabelos em pé a quem já viu disto montes de vezes na época passada: veja-se o pontapé de Maicon da lateral para o meio, ainda que para um companheiro, mas que devia ter sido ao longo da lateral senão mesmo contra o adversário junto à linha para ganhar um lançamento. E Casemiro ainda fez um mau passe para propiciar ao Sporting mais uma ocasião de golo não criada, como no 0-1, e uma avenida para o remate de Nani.
 
Já não há pachorra para Lopetegui não meter um criativo no meio-campo: voltou a encostar Oliver Torres numa ala. E não há pachorra para as asneiras repetidas de Maicon a cortar e de Danilo a passar. A 1ª fase de construção do jogo portista não pode estar dependente de dois jogadores tecnicamente deficientes. Para mais jogando um ao lado do outro, o que desequilibra totalmente a equipa; de resto, muitos passes mal feitos quando a equipa já esperava no meio-campo contrário e a bola perdida fazia o Sporting parecer que jogava mas só aproveitava benesses.
 
Foi assim que se construiu uma derrota feia que atraiçoou a equipa, que jogou o suficiente para merecer outro resultado, e não fez jus ao futebol jogado. Mas sem o FC Porto pôr-se por cima do marcador é difícil engrenar. E duas mexidas no miolo indicam que a última opção de ataque quando perdes em casa tem de correr mesmo bem. Não correu, porque passes e remates (penálti de Jackson) foram sempre desperdiçados. Foi um jogo perdido por si mesmo. Se der para aprender alguma coisa, muita coisa pode ser salva esta época. Mas há que arrepiar caminho e isso passa por acertar processos como definir a equipa, proibir devaneios estúpidos de um ou outro jogador em especial na defesa e saber marcar a diferença ofensiva com golos e não meras oportunidades.
 
O futebol não sorriu ao FC Porto pelo resultado, mas o FC Porto tem de superar estes momentos. Hoje era difícil, perante tantos tiros nos pés, mas uma derrota não pode afectar em nada pois pode acontecer aos melhores. E nunca me pareceu que o FC Porto não fosse melhor do que o Sporting. Nunca teve foi a sorte do jogo e foi oferecendo os prémios da lotaria ao adversário. Que não tem culpa das asneiras e deslizes alheios e sobre quem o jogo não pode ser resumido como se tivesse sido o melhor em campo. Para o FC Porto, algo desafortunado ultimamente, não há mal que nunca acabe.

17 Outubro 2014

Conselho ao "bisconde" para se acolher na casa do Conde de Ferreira

Caríssimo venerado "bisconde" do Compo Grande,
 
faz Bócelênssia bem em enxotar a canalha e exortar a seguir outros caminhos menos ínvios a bem da bola que melhor bata na tola. Releve, porém, que nem toda a local massa ignara é igual, há uma franja resiliente que se senta no banco bom da sociedade elevada e erudita que sabe que campanário escutar o sino do apelo às almas puras. E acredite que, além de Bossa senhoria ao chegar entre hoje e amanhã trazer augúrios de melhor tempo, mesmo que uma pinga de abençoada chuva nos lembre de ser digno de aspergir-vos de bons sentimentos, muitos acorrerão às ladeiras do tortuoso caminho para ter a mais ampla e real visão do guia que felizmente a dibina probidência nos concede com a graça de todos os nobres cujos espíritos contemplamos com a maior admiração e perante os quais humildemente reverenciamos.
 
Isto para Bossa tranquilidade e sem prejuízo de confirmar os receios de Bocelênssia; e tome por prudente, tão sábio quanto sóbrio à Bossa atenção, o conselho de evitar a arruaça que uns meliantes Casuais podem causar a quem ordeiramente segue um trilho próprio rumo à Luz que melhor alumiar tão distinto caminho.
 
Procedente da capitolina Lisboa, teime amanhã em seguir a estrada aberta (ver mapa 'aeuro' local), essa serpenteante larga faixa castanha da visão altíssima que vos sirvo, apropriadamente apodada pelos locais de Via Certa do Inferno, vulgo VCI e eximo-me a trocar os vês pelos bês que Bossos olhos enxergam tão bem à distância. Quem vem e atravessa o rio, melhor ao largo da Serra do Pilar, e do velho casario que se estende até ao mar, faça o desvio do Freixo e olhe de soslaio para o mostrengo que possa erguer-se à sua esquerda, na subida aos infernos que tal aproximação tremuras lhe cause.
 
Escuse-se a ir a pé do antro da podridão, onde assaltantes vários atacam como testemunhado pela isenta Imprensa ao serviço de Bocelênssia e tão mau agoiro trazem como se viu no 31 (3-1) da última visita ao sertanejo mal frequentado. E não receie ameaças dos trogloditas, menos ainda dos caciques entronados, que pediam polícia e justiça no seu encalço: será a cavalo como cortejo de tão excelsa figura e com toda a justiça reverente ante sua magnânima forma de distribuir sábias baforadas pela incontornável bentoinha.
 
Decerto Bossos prestimosos esforços de consolidação do poder régio a que há-de chegar não deixarão de acompanhar as sortes de tão vasta e destemida equipa que tanto tem representado Portugal como é do timbre do clube que do País acolheu no nome leonino e tão sportibo. Por obras valorosas se ergueram tão distintos feitos internacionais para adequadamente ser o SCP digno portador do brasão pátrio, que isso de ter dado nome a Portugal foi em tempo de outras senhorias menos fidagais do que Bossa ascendência admite provir. E de freguesias lisbonenses nem vale a pena falar. Muito menos de retrógradas probíncias.

Daí, adiante, ser melhor seguir o caminho do mar e vislumbrar orgulhosas venturas rumo a Oeste, esse Far West que o digníssimo bisconde leva na alma de pioneiro com a tenacidade de um quacker desembarcado do Mayflower com a graça de borboletas e lírios e girassóis dos frondosos corredores dos balneários de Albalade: inopinadamente, terá diante de Bossa ambição o mesmo cenário idílico que de Lisboa se avista como de fácil conquista, tal como naus quinhentistas mas agora com os modernos serviços de propaganda e actualizados engenhos me(r)diáticos e tecnológicos ao dispor do único clube que se diz de Portugal, junto do qual o Atlético é, não de uma freguesia como o da outra da qual não se diz o nome por nojo, apenas o capacho, em Alcântara, por onde sobrevoa a ponte do nosso herói e mentor de Santa Comba.
 
Dê, contudo, conta (e verá facilmente a estrada bordejada, como acima antevejo, por homens bons e não os rascas tripeiros) que uma oportuna rotunda - as rádios dizem do trânsito ser o Nó das Ántas, mas não há nó górdio que sua habilidade saloia não saiba desmontar ao mais ínfimo pormenor - ao chegar ao pico da Bossa esmerada escalada a esconjuro dos martírios da fé que há-dem livrar do fogo eterno quem tão de acções tão alvas e altas se proclama em honra de ancestrais tradições, essa derivação lhe permite, pois, à direita, seguir os ditosos caminhos que outros nomes dinásticos estabeleceram em honra da boa saúde e alienada resiliência em bem acolher quem aquela casa cor-de-rosa visita, com frondoso jardim à entrada e abrir os horizontes de um verde imaculado em toda a propriedade e para deleite de Bossa senhoria. Consta até que hortas biçosas estão ao dispor de quem mais força de vencer demonstre e o caríssimo bisconde há-de mostrar trabalho depois de ter largado suas empresas para abraçar, desinteressado, a causa da enorme empresa que é o nosso nobre clube que aspira dirigir por mais de uma Guerra de Trinta Anos, como as coisas da História lhe contarão de outros tempos por leituras cavalgaduras cavalheirescas relevando tacanhas tamanhas aspirações.
 
Tome conta, lá no alto da arte de bem cavalar em toda a sela, deve logo também virar à esquerda mal encontre tal caminho pavimentado com os louvores que sua destreza merece e capaz de amolecer os rudes calhaus que nos entorpecem a caminhada. Como em terra onde ponha o olho, além de todos genuflectirem, sua ordem é acatada sem rebuços, não ligue a sinal proibido, pois dos senhores mais nobres de intenções é digno o reino das transgressões.
 
Defronte terá, sem desprimor para a heráldica e hierárquica precedência de Bosselênssia, a casa do Conde de Ferreira, edifício apalaçado e belo e entorno pacífico e romântico onde encontrará o necessário repouso após tão arriscada tormenta de aceder a terras de bárbaros na profundeza da probíncia. Consta que ali dentro, nos segredos que só mentes brilhantes podem manter, se procede às mais miraculosas profilaxias do espírito atreito a maleitas do diabo. Aí decerto comerá sopas e caldos para mitigar as dores do corpo e aspergido como é de livro será de unguentos e precações atinentes ao equilíbrio mental. Famílias há que se recolhem nesses aposentos de onde voluntariamente nem querem sair e decerto fará justiça aos ares bondosos e melhores tratamentos psicossomáticos face ao tão desacreditado Júlio de Matos que serve pobremente os crescentes pecadores da capitolina Lisboa.
 
Ficará ainda a salvo dos urros e bruás do covil do Dragão infame, onde é frequente e propalada a invasão dos gentíos a fazer tremer apenas os pobres [árbitros] de espírito, esse clube sem paz que se renega combater pela regeneração da bola tuga em boa hora assumida por Bocelênssia com a partilha do expedito mandatário da Liga já merecedor sem favor de um posto hierárquico de barão, quiçá duque para saber o que é a escalada das birtudes e o alcance das honrarias.
 
Ficará Bocelênssia num privilegiado promontório, que os locais desdenham como sanatório, mirando do alto da sua importância secular a temporalidade que Bossa acção determinada, estratégica e justa poderá alcançar ao fundo, passando pela dita Liga a seus pés espojada e o mar aberto que não lhe refreia o ímpeto de cabaleiro do apocalipse para conquistas que, qual Rei Artur, tem conseguido nas frias e húmidas ilhas da Velha Albion já derretidas ao som do seu Inglês Técnico e certeiras proclamações sobre fundos, dinheiros e mordomias que devem ser primorosamente libertas do pecado venial destes tenebrosos tempos que Bocelênssia tão bem sabe desconstruir.
 
E quando entender, sentindo-se repousado e convicto de ser bom ficar em nome da santa saúde da moleirinha cinzenta a que devemos dar cor e ânimo, ou optando livremente pela saída airosa de tão aconchegado ambiente de salubridade intelectual que merecerá os seus mais generosos elogios, pode meter pés ao caminho; perdão, mandar os servos carregarem a liteira que acima de todos Bossa atitude e alteza de carácter transportará com a protecção dos desígnios do Altíssimo. Os ébrios e demoníacos pantomineiros locais já terão caído em desgraça a pavimentar as esconsas vielas de lúgubres candeeiros amiúde sem cumprirem a função e deixarem esta parte do reino nas trevas.
 
Ficará, assim, logo bacinado para bisita seguinte na Liga de faca e alguidar montado para sangrar em nome de Portugal e para Honra, Deboção e Glória que tanto faz chorar amiúde suas militantes tropas sempre encantadas com epopeias sem par.
 
De Bosso admirador mais incondicional que supunhais ter tão bem infiltrado na terra de ninguém, as esperanças de uma boa biagem com estes conselhos que creiais meritórios e assegurada aventurança na Casa do Conde de Ferreira, vosso lídimo anfitrião que não enjeitareis por superioridade moral e estatuto nobre, nem por despeito face ao "bis" que vos põe acima de condes, marqueses, duques e barões já ameaçados com a Inquisição (o Barão foi, logo a abrir esta radiosa época de caça, excomungado), honrar com tão prestimosa presença caucionada por tonitruantes trompetas que salvificamente a anunciavam há semanas como sempre Bocelênssia faz questão de antecipar.

 

16 Outubro 2014

Sabia que o Sporting não ganha no Dragão desde 2007?

Notícia foi, antes do clássico da Liga de Setembro, o FC Porto não ganhar em Alvalade desde 2008.

Do bipolar visitante que se anuncia com promessas vãs e pedagogia do Rascord (agora com legendas)


(vá lá, além de CR7 sempre pode dizer que até RQ7 é produto da Academia :)
 
ACT: a confusão na moleirinha que não é suposta existir nos lagartos vê-se bem como este bestunto julga a capa do Rascord como desfavorável ao Spórtem e favorável ao FC Porto.
Em suma, como nos excertos de pasquim acima mostrados, o denominador comum é esse lixo cofineiro chamado Rascord, com os anteriores enterras no poleiro de novo e prontos a reduzir as vendas em mais 100%. Parabéns aos primos e título rectificado pois o post passou a ter legendas (13.15h)

15 Outubro 2014

Será o Quintela o Goebbels do Grunho de Carvalho?

Já tínhamos percebido que o timing das incursões me(r)diáticas tinha algo de tão sigiloso quanto estudado e, daí, apreendido facilmente à segunda ou terceira tentativa de usar o palco pouco púdico.
 
A teatralidade, no gesto, é acompanhada do soundbyte. A questão é caprichar. Elege-se um judeu para demonizar e culpá-lo das maiores desvergonhas e prejuízos à causa defendida é o menor dos problemas. Pode tornar-se o pior dos argumentos se tudo for repetido até à náusea. Aí, até os convivas perderão o agrado da companhia e a certeza de melhores dias tão prometidos. O problema é a identificação do mensageiro para desconstruir o discurso elaborado.




 
Para a arruaça vingar, publicar um livro sem alguma coisa para destacar é algo imperioso. Vai daí, escolhe-se um autor, parcimonioso e serventuário q.b., sendo indiferente se primeiro se escolheu o autor ou antes converteu-se um lacaio, alegadamente da comunicação in vivo, para fazer de prosador morto à nascença pela falta de credibilidade.
 
Custa mais escrever sem motivo e arenga pior não ter feitos para descrever. Normalmente escreve-se das glórias próprias, não das wanna be; o wishful thinking não colhe todos os dias, mas repetir mentiras mil vezes pode resultar em mentes perturbadas de um rebanho sem rumo no seio do qual as ovelhas negras, pálidas de tão despudorado vigor em praticar o kim-il-sunguismo norte-coreano - acidulado pela infâmia de apontar a dinastias de outros e enjeitar os laços famigliares próprios - de eventos celestiais abençoados numa criatura ou sua família eleita, tendem a afastar-se, esperando que a Natureza das coisas siga o seu curso e separe o trigo vivífico do joio mais sujo.
 
Vai daí que o grande clássico ainda pode ter mais uns episódios grotescos em noites de cristalina edição da imprensa capitolina ávida de puxar pela verve corajosa do fanfarrão que fala à distância e pavimenta o seu caminho com as mais torpes insinuações.
 
Começou, mais uma vez, a encenação do Grande Clássico do fado triste da turva alma tuga que chora por todos os cantos por um consolo primordial: sair vivo da mais inóspita das paragens como regressar dos mares do fim do mundo.
 
É esta a epopeia bacoca de uns pacóvios sem jeito. Vamos dar início, então, à dissecação da obra, que a semana é curta e o jogo está a três dias.
 

14 Outubro 2014

Quaresma cruza toda a história

Neste processo de recuperação da Selecção, em que Fernando Santos tinha tudo a perder mas muito a ganhar à frente de um barco à deriva que precisava mais de uma chicotada metodológica, de personalidade, do que psicológica face à imoralidade reinante e desumanidade arrepiante, mais do que os regressos dos filhos pródigos que muito a reforçam, está provado que a regeneração rejuvenescedora da equipa pode começar por alguém com os 36 anos de Ricardo Carvalho, o melhor português em Copenhaga. Mas, ironicamente, desafiando mais do que o estigma etário aparvalhado que também domina o apartheid em que os mais velhos são colocados na sociedade em geral e no mercado de trabalho em particular, é a forma de fazer outros engolirem os próprios preconceitos e rebaixarem as suas doutas opiniões como o reaparecimento de Quaresma voltou a provar na miraculosa vitória na Dinamarca que fará os parolos basbaques do costume atirar tudo o que está para trás para debaixo do tapete sempre convenientemente à porta das porcas misérias do futebol tuga.
 
Quaresma entrou bem e marcou o golo em Paris. O tipo que não podia ir ao Mundial do Brasil, diziam quem habitualmente não pensa pela própria cabeça e torna-se meramente altifalante de outros mais temerosos ainda de assumirem posições, pois faria mau balneário e tecnicamente pouco acrescentaria à coisa que animava uma parvalheira congénita de gente mal (in)formada, voltou a entrar e a ser decisivo. Um cruzamento maravilhoso, daqueles em que tem servido Jackson Martinez para provar a valia da sua utilidade no Dragão, deu uma vitória altamente improvável e nada merecida, em algo tão insólito como um golo aos 90+5' e mais autogolo (Kjaer) do que cabeçada do CR7.
 
Até porque só a 7' do fim, quando o seleccionador resolveu tirar Tiago em défice para abrir Quaresma como nunca a selecção jogou aberta na largura total do campo, Portugal nem queria, nem sabia nem podia ganhar. Meio-campo sem agressividade, limitando-se à espera pelo erro de perda de bola dos dinamarqueses, foi a tónica que deu à mais fraca equipa no plano técnico uma inusitada supremacia na posse de bola. E foi sempre assim, mesmo quando saiu Nani e entrou João Mário só para procurar mais um bocadinho recuperar a bola, sendo inócua a troca de Danny por Éder pois os da frente estiveram sempre bastante desapoiados. Portugal ganhou sem querer, sem poder mas a saber, finalmente, com Quaresma a forma de abrir aquilo, algo só visto numa perda de bola infantil que permitiu a Danny isolar CR7 para falhar.
 
Tudo está bem quando acaba bem até porque quem decerto defendeu a exclusão de Quaresma do Mundial agora, tranquilamente, sem peso na consciência dos que ganham nas palavras mas escondem os subterfúgios usados, cantará hossanas por Fernando Santos, além dos 3 da vida airada com que eram catalogados, recuperar também Quaresma que, afinal, nem se importa de jogar alguns minutos no finalzinho de um jogo que era para empatar na disposição táctica e defensiva da equipa.
 
Até porque há momentos de sorte que são mais oportunos do que outros momentos de pura sorte.
 
Depois de tantas asneiras entre Paris e Copenhaga, isto cai como mosca na sopa dos parolos do costume. Só hoje me apercebi que um parvalhão jornaleiro, e não devia ser do CM, perguntou a FS se por ele jogaria contra a França, ignorância que o seleccionador partilhou porque os morcões da comunicação da FPF não souberam informá-lo que esses jogos com a França decorriam do sorteio e do regulamento de qualificação, não eram sequer "negociáveis". E, ainda hoje, os do efe-erre-á e do la,la,la,la, Brasil, Brasil contavam como se tivesse sido há um ano (foi mas em Novembro) que CR7 marcou os golos à Suécia, aqueles que ficaram na história por aselhice deles e que os vizinhos da Dinamarca não cairiam na esparrela de lhe abrirem aquelas avenidas.
 
Prontos, mas nada disto se passou. Chuva de asneiras foi só em Lisboa. Até o Cédric se pôs a distribuir lenha sem levar cartões com a impunidade conhecida no Sporting e ainda ganhou um livre ridículo de cuja insistência resultou o golo inopinado mas só possível porque Quaresma deixou todos de boca aberta, mesmo aqueles que à boca cheia o ostracizaram da Selecção. Os mesmos que acham normal Quaresma e Ronaldo jogarem juntos, quando parecia apenas admissível que fosse o par Nani-Ronaldo o eleito da intelligentsia lisbonense que faz e desfaz com toda a desfaçatez.
 
É pena estes ganharem alguma coisa também nesta merda toda. Podiam ter ido na enxurrada e ficam para apanhar as canas das suas torpezas em foguetório insano.

11 Outubro 2014

«Mais uma vez Cédric ultrapassado»

"ainda no recente clássico vi que Cédric pode ter muita força, glúteos desenvolvidos, pinta de gostar de halteres, correr muito, mas tudo isso fazia, por exemplo, João Pereira, embora com menos músculos visíveis. Mas em futebolês corrente, um e outro não valem um chavo. Acaba por ser curioso como Fernando Santos prescinde de um fraco lateral-direito em favor de outro fraco lateral-direito. Dirão que não haverá mais e melhores, mas só para esquecer que uma das primeiras aleivosias e mentiras de Paulo Bento foi ostracizar Bosingwa numa altura em que ele ainda dava alguma coisa. Foi o primeiro de muitos problemas de seriedade e arrogância que a Imprensa do regime fez por esquecer".
 
A tónica do França-Portugal foi aquela, ainda que só aos 40 e tal minutos a RTP de idiotas tenha reconhecido em directo algo visível desde o 1-0 aos 3'. É certo que o 2-0 nasce de um fora-de-jogo tão fácil de detectar como ilegítimo desculpar a avenida de novo aberta pelo lateral do Sporting. E nem era por acaso que a França carregava por aquele lado. No outro flanco, bastava alguém aparecer em velocidade à segunda bola que o Eliseu também não estava lá, vide ainda a sequência antes do 1-0.
 
A questão é que não se diz isto, a fraca prestação dos laterais, com a identificação dos problemas que se percebiam na convocatória, como a escrevi no dia 3. De igual modo, João Pereira foi sempre fraco mas resistiu até deixar de jogar no Valência, que o queriam tanto pôr fora que se esqueceram de o pôr fora pensando que ele ia por si. Não foi. Nem voltou a ser boa a apreciação da selecção, fruto de mais um erro de casting, o de outro valenciano, André Gomes, a fazer lembrar aquela patética aparição humilhante de André Almeida frente à Alemanha no Brasil.
 
Porque a convocatória do dia 3 já antevia isto. Só que o ecumenismo de Fernando Santos, na sua génese católica praticante, tinha não só de levar à inclusão óbvia dos filhos pródigos, em boa hora de regresso a casa e todos estiveram bem ainda que Tiago muito posicional e pouco interventivo na fase de construção, como introduzir uma coisa estranha naquele meio-campo que é suposto alimentar um ataque com potencial devastador. E essa parte viu-se, mas quando entrou o puto João Mário que de tão entusiasmado ganhou um penálti a tropeçar em si mesmo como se fosse um qualquer Lima do Benfica.
 
E a malta da RTP ainda queria outro penálti sobre Eliseu como aqueles que fatalmente são concedidos ao Benfica na Liga tuga e com a complacência silenciosa e criminosa das tv's da parvalheira.
 
Não se esperava, isso sim, é que Fernando Santos tenha reunido o tão largo consenso com a inclusão de Eliseu a lateral da tanga em detrimento de Antunes que é lateral mesmo. Eliseu, fora o excesso de peso, até costumava jogar à frente de Antunes no Málaga nesse corredor, mas como agora está no Benfica e ali só ataca, Santos pensou ser engraçado e imaginar que se defrontava o Arouca ou o P. Ferreira e árbitros portugueses permissivos dariam corda ao rapaz no corredor. Faltou a bandarilha de meter outro médio de parte pedra, como Adrien, para compor o ramalhete das desgraças próprias mas que encantam a intelligentsia lisbonense.
 
Isto, de resto, começara mal no dia do jogo em que a estúpida e inútil RTP tem de socorrer-se de uma fonte externa para dar a estatística dos confrontos França-Portugal, recorrendo a um blog. Seria inimaginável mas esta malta nova gosta das redes sociais e das muletas alheias, porque pensar tá queto e gizar algo de si é problemático com tantos pés de microfone espalhados a recolher opiniões dos emigrantes como se fôssemos recomeçar a tertúlia brasileira e o efe-erre-á da praxe.
 
Mas ainda bem que Portugal não voltou a ganhar à França depois de 2-0 de 1975 em Paris. Por sinal, um jogo que a RTP, a preto e branco, transmitiu em directo num sábado à tarde e que eu lembro de ver mas a RTP, afinal, não tem memória porque aquela gente de desporto e futebol sempre falhou a missão e sempre emporcalhou a emissão.
 
Digo ainda bem que veio derrota, porque nem se imagina se vencesse o forrobodó que seria com os louvaminheiros do costume ansiosos por não perderem outra fase final para as figurinhas da treta a servirem-nos a hora a que os jogadores lavam os dentes e descalçam os chinelos antes do almoço. Ouvimos o tradicional "elogio aos jogadores" e a proverbial "atitude", mas faltou intensidade em que levámos goleada da França e codícia na área em que não houve espaços para rematar como os concedidos aos franceses na nossa área.
 
É que na sequência da última vitória com a França, Portugal teve um jogo fundamental na qualificação para o Euro-1976, jogando em Praga para perder 5-0 com a Checoslováquia...

10 Outubro 2014

Benfas desta vida não prosperam na imoralidade da UEFA

 
Mas isto é uma forma de a UEFA descalçar a sua bota e o pedregulho que lhe aperta os calos e que é a indecente repescagem do 3º dos grupos da Champions para a Liga Europa onde poderá acumular mais pontos para o seu ranking particular (o clube) e que daí coloca em vantagem sobre outras equipas que continuam na Champions podendo ser eliminadas logo aos 1/8 ou mesmo 1/4 final. Ver exemplos abaixo.
 
Foi a forma de o Benfica subir na tabela de clubes e alcandorar-se ao Pote 1 da Champions onde fracassou em 4 dos últimos 5 anos incapaz de passar a fase de grupos. Aliás, há duas épocas, salientei aqui que o Benfica na final da Liga Europa (com o Chelsea) acabava de obter mais pontos no total da época do que o Madrid de Mourinho eliminado pelo Bayern nas meias-finais da Champions.
 
É inacreditável como se persiste neste erro, imoral e ilegítimo, além de anti-ético, sendo que agora esses pontos acumulados "fraudulentamente" deixam de permitir ao clube beneficiado escalar a tabela até ao Pote 1 que, pela via normal, não acederia.
 
Ao desejar meter no Pote 1 apenas os campeões nacionais dos 7 países do ranking "nacional", a UEFA evita os chico-espertos a quem dá corda com represcagens hediondas e que mais do que qualquer outro beneficiou o Benfica, amiúde relegado da proa-rainha para se encher de bazófia depois de Dezembro transformando um desastre financeiro e desportivo numa epopeia que, ainda assim, não lhe permitiu em dois anos seguidos acabar com a seca de títulos internacionais que dura há mais de meio século.
 
É claro que Barça e Madrid, por exemplo, só poderão estar junto no Pote 1 se um for campeão nacional e o outro campeão europeu. É bom que o Pote 1 seja reservado aos campeões, mesmo que se abra uma porta para o Montpellier e o Lille em França ou, quiçá, um Paços de Ferreira e mesmo um Sporting que sejam campeões portugueses.
 
Há muitos anos que o Bayer Leverkusen tem presença assídua na Champions sem nunca ter sido campeão alemão e apenas no seu historial ganhou uma Taça da Alemanha recentemente e uma Taça UEFA em 1988 salvo erro mas quando a participação na Taça UEFA decorria da qualificação por via do campeonato nacional.
 
Para mim sempre foi bizarro ver um campeão europeu sem ser campeão nacional mas em nome do robustecimento da Liga dos Campeões até compreendo e aceito. Mas nunca juntar o que deve ser separado: os campeões e os outros, estes devem ficar em potes próprios dependentes do seu ranking individual; especialmente o Pote 1. O que a UEFA argumenta tem razão de ser: M. City campeão num níel inferior ao Arsenal (Pote 1) que foi quarto.

Mas sou eu que malho contra o avanço no retrocesso para a Liga Europa? Porque é que a descredibilizada Imprensa tuga da especialidade de trazer por casa não olha o assunto como a BBC Sport faz mesmo que ponha em causa Arsenal e... Chelsea?

Pois é, o Arsenal não ganha a PL desde 2004, é certo que está há 18 ou 19 anos na Champions e nos últimos 10 ou 12 anos sempre passou a fase de grupos e os seus pontos, assim, são legítimos e credíveis mesmo que não vá mais longe do que a 1ª eliminatória na Primavera. OK, mas mesmo assim há quem questione em Inglaterra por que tem de ser assim?

A verdade desportiva passa ao lado do interesse dos da herdade desportiva. Mas foi graças à exposição destas incongruências, especialmente vindo de Inglaterra, que a UEFA acedeu a mudar as regras, só para o Pote 1 aparentemente, para o triénio 2015-2018.

E devo confessar que foi ao ler esta peça há um ano e tal que me apercebi do montante indevido de pontos que as equipas transferidas para a Liga Europa alcançaram. O Benfas foi a mais beneficiada de todas mas o Chelsea descrito nesta peça do link acima ganhou a Liga Europa ao Benfica e teve mais pontos do que o Madrid de Mourinho que chegou às meias-finais da Champions. Como digo, o Benfica também beneficiou disso tal como esta época. Na época passada, não fosse o Inter de Milão não se ter apurado, o Benfica não teria ascendido ao Pote 1 em que o FC Porto aparecia em 7º do ranking e como campeão nacional. E o Benfica passou o FC Porto no ranking de clubes pelos pontos acumulados com a Liga Europa. Toda a classificação recente tem sido adulterada mas os tugas assobiam para o ar.
 
Há uma higienização correcta ainda que reste por eliminar a defecação que é manter viva na Europa na Primavera uma equipa que devia estar enterrada no Inverno. Mesmo que isto custe a várias equipas espanholas e inglesas, sendo que Chelsea (2º) e Arsenal (4º) entraram esta época no Pote 1 e o campeão M. City no Pote 2. De Espanha, Real Madrid campeão europeu e Atlético de Madrid campeão espanhol tinham direito a entrarem no Pote 1, o Barça (2º) iria para o Pote 2, tal como o FC Porto.
 
Aplicado a esta época, o FC Porto não ascenderia ao Pote 1 onde por direito próprio estaria o Benfica como campeão nacional. Mas em épocas anteriores o inverso sucedeu mas o Benfica como não campeão só lá ascendeu por força dos pontos ganhos após uma represcagem que sempre denunciei e jamais aceitarei.